Em meio a pandemia, movimento de shopping no Brasil é afetado e associação prevê "guerra"

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • Associação de pequenos lojistas diz que fluxo de clientes caiu cerca de 30% e que não descarta pedir flexibilização de pagamentos de aluguel se situação se agravar.

  •  “Precisamos encontrar uma forma de administrar a situação, senão vai virar guerra”, diz representante de lojistas.

As redes de shopping centers vivem um momento de incerteza sobre como vai ficar o movimento nos centros de compras nas próximas semanas, em meio ao avanço dos casos de coronavírus no Brasil. Segundo representantes das varejistas, o fluxo de visitantes começa a ser afetado, situação que pode colocar em xeque a recuperação das vendas registrada nos meses anteriores e até elevar a inadimplência de lojistas que levou anos para ser normalizada após a crise.

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A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo.

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“O movimento caiu significativamente nas últimas 48 horas. Foram uns 30% de queda nas visitas às lojas e uns 20% a 30% nas vendas”, afirmou Tito Bessa Júnior, presidente da Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos) e fundador da rede de moda TNG. “Se esse resultado ocorreu em dois dias, imagine nas próximas semanas. Se continuar, os lojistas não vão ter recursos para pagar aluguel aos donos de shoppings”, completou.

Representante das lojas de menor porte, Ablos tem cerca de 100 associados, entre os quais TNG, Barred’s e Mr. Officer (vestuário), Doctor Feet (serviços), Casa do Pão de Queijo (alimentação) e SideWalk (calçados).

Bessa solicitou reunião com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), representante dos donos de shoppings, para discutir medidas conjuntas para amenizar as turbulências. De acordo com ele, não está descartado pedir flexibilização em pagamentos de aluguel, condomínio e taxas operacionais até que o impacto sobre as vendas seja dissipado.

“Precisamos encontrar uma forma de administrar a situação, senão vai virar guerra. É preciso compreensão de que o mundo inteiro está enfrentando um momento difícil e que todos precisam se ajudar”, declara Bessa.

Representante de varejistas de portes variados, a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) é mais contida. “Até agora o movimento está próximo do que sempre foi”, informou o diretor Luis Augusto Idelfonso. Segundo ele, há perspectiva de queda no fluxo de consumidores ao longo da próxima semana.

Indagado sobre a divergência de percepção com a Ablos, Idelfonso avalia que algum segmento pode já ter sofrido queda nas vendas devido à alta do dólar ou à escassez de produtos chineses, mas isso não foi significativo para o setor como um todo. “De todo modo esperamos ter um termômetro mais preciso na semana que vem.”

Por outro lado, Ildefonso concorda que, se houver cenário prolongado de queda de vendas as varejistas terão dificuldades de pagar aluguel. “Se o problema for duradouro, provavelmente vão surgir novas negociações entre lojistas e donas dos shoppings, assim como vimos na crise”.

O discurso das donas de shoppings é que o movimento está regular, embora não se saiba até quando. A Abrasce não concedeu entrevista, mas informa, em nota, que tem pesquisa em andamento para identificar possíveis impactos no setor.

As operadoras de shopping informaram ter reforçado a limpeza de elevadores, escadas rolantes e corrimãos, e lançaram campanhas para divulgar informações sobre prevenção ao vírus. “O fluxo está normal. No fim de semana de 7 e 8 de março vimos uma desaceleração em São Paulo, mas seguia bom nas outras regiões”, disse o presidente da Aliansce Sonae, Rafael Sales, em reunião com investidores.

A empresa tem 27 shoppings no portfólio, quatro deles em São Paulo, onde está a maioria dos casos da doença. “Com o cenário de crescimento do vírus podemos ter um impacto, mas isso ainda não aconteceu. Adotamos medidas para conscientizar as pessoas e manter os shoppings abertos”, disse. O grupo estocou água, álcool gel, diesel para geradores e gás de cozinha para as praças de alimentação.

“O fluxo estava normal, mas a gente acha que é possível que o cenário mude”, disse o presidente da BRMalls, Ruy Kameyama, também a investidores.

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