Em meio a discussão sobre violência na campanha, Bolsonaro retorna a Juiz de Fora pela primeira vez após facada

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O presidente Jair Bolsonaro deve voltar pela primeira vez a Juiz de Fora, cidade mineira onde ele foi atingido por uma facada durante a campanha de 2018, para participar de uma motociata e de um evento religioso nesta sexta-feira. A viagem ocorrerá num momento em que o titular do Palácio do Planalto vem sendo acusado de estimular atos de violência contra adversários políticos.

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O tema ganhou força desde sábado, quando o guarda municipal e dirigente do PT no Paraná Marcelo Arruda foi assassinado durante a própria festa de aniversário, em Foz do Iguaçu, pelo agente penal Jorge Guaranho, apoiador declarado de Bolsonaro. Os dois iniciaram uma discussão após Guaranho invadir o evento, que tinha o PT como tema da decoração. Ele atirou contra o aniversariante. Arruda, que também estava armado, revidou, mas acabou morrendo no local. O agente penal também foi baleado e está internado.

A provável ida de Bolsonaro a Juiz de Fora ajudará a reforçar o discurso adotado pelo presidente desde a morte do guarda municipal, a de que ele próprio foi alvo de um grave ato de violência quatro anos atrás. Na terça-feira, Bolsonaro telefonou para irmãos da vítima e bateu nessa tecla.

— Se porventura me apoiem (pessoas com esse tipo de comportamento), peço que apoiem o outro lado. Eu sou vítima, eu levei uma facada — disse durante a conversa por telefone.

Uma vez em Juiz de Fora, Bolsonaro deve voltar a explorar o atentado de 2018. O presidente frequentemente relembra o episódio e acusa a esquerda de estimular a violência. O autor da facada, Adélio Bispo, foi filiado ao PSOL.

O próprio presidente, porém, já protagonizou cenas de incitação a atos violentos contra adversários. Durante um comício no Acre em 2018, ele afirmou. simulando o uso de um tripé como uma arma de fogo:

— Vamos fuzilar a petralhada.

Na terça-feira, parlamentares da coligação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediram ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para investigar a conduta do presidente da República, alegando que ele estaria incentivando a violência.

Estratégia questionada

A campanha ainda não fechou quais compromissos Bolsonaro deverá cumprir no município mineiro. Possivelmente, ele visitará a Santa Casa da cidade, onde passou por uma cirurgia de emergência após a facada antes de ser transferido para um hospital em São Paulo. Bolsonaro repete com frequência que recebeu uma "segunda vida" após o atentado.

As agendas previstas para ocorrer em Juiz de Fora — motociata e evento religioso — desagradam a parte da equipe da campanha, que acredita que nesse tipo de evento ele se dirige apenas a quem já apoia o governo federal.

Não será o único evento do tipo nesta semana. Na quinta-feira, ele ira a Vitória do Mearim (MA) para um encontro com mulheres evangélicas. No sábado, está prevista a participação do presidente em uma Marcha para Jesus em Fortaleza, também com uma motociata antes.

A viagem para Juiz de Fora tem sido planejada nos últimos dias, mas com alguns percalços nos bastidores. Na segunda-feira, o deputado estadual Bruno Engler (PL-MG) chegou a divulgar que ela havia sido cancelada. Nesta terça-feira, o senador Carlos Viana (PL-MG) e o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG) estiveram com Bolsonaro no Palácio do Planalto e defenderam ao presidente que a agenda fosse marcada. Bolsonaro atendeu ao pedido. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI), no entanto, ainda não confirmou a viagem, mas integrantes da campanha afirmam que ela está prevista.

Após a reunião, Viana declarou que não há uma preocupação com a segurança de Bolsonaro e que não acredita que o episódio de Foz do Iguaçu signifique que há um acirramento do clima político.

— Não, apesar de toda a discussão que há em torno disso politicamente, o governo está muito tranquilo e diz que não há esse acirramento, é uma questão isolada, esse é um assunto que está ligado aquelas duas pessoas. Não tem nenhuma ligação de aumento de violência, não há sinais disso do Brasil. Porque se houvesse, a Presidência seria um dos primeiros a se preocupar.

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