Em meio a falta de sedativos, governo do Rio usa helicópteros para levar 'kits entubação' a 74 unidades de saúde

Antonio Scorza, Arthur leal, e Felipe Grinberg
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Com a média móvel de mortes por Covid-19 em alta há 20 dias seguidos no estado do Rio, hospitais das redes pública e privada já enfrentam problemas no estoque de medicamentos usados para colocar e manter os pacientes em estado grave no respirador. Por isso, o governo do Rio tem aproveitado a distribuição de vacinas por helicópteros para também levar “kits de intubação” às cidades do interior. Nesta sexta-feira, 74 unidades de saúde receberam os insumos.

Enquanto vacinas e sedativos eram distribuídos, o estado batia mais uma triste marca: nesta sexta, a média móvel chegou a 260 óbitos por dia, a maior da pandemia e um aumento de 80% em relação há duas semanas. Em um dia, foram confirmadas 381 novas mortes por coronavírus e quase 5,2 mil casos. Desde março de 2020, 39.038 pessoas perderam a vida para a Covid-19.

Já a fila por um leito de UTI apresentou queda, mas continua em um patamar alto. Nesta sexta, 608 pacientes aguardam por uma vaga de UTI na rede pública de saúde do Rio. Se somados com as pessoas que esperam por um leito de enfermaria, o número chega a 749 pessoas. A ocupação dos leitos de UTI está em 90%. Apesar da redução na fila, só há 198 leitos livres de UTI em todo o estado do Rio

Pela segunda semana seguida, os técnicos da secretaria estadual de Saúde do Rio apontam que o Rio está na bandeira roxa e com risco "muito alto" no que tange à pandemia. A pior situação é na Região Metropolitana 1 - que engloba a capital e os municípios da Baixada Fluminense. Na projeção atual, os leitos de UTI para atender pacientes de Covid-19 nessa região podem acabar em cinco dias.

"Todas as nove regiões do estado apresentam taxa de ocupação de leitos de UTI acima de 80%, apontando para uma situação crítica no atendimento aos casos graves. Em relação à taxa de ocupação de enfermaria, exceto a região Noroeste, as demais regiões também apresentam esgotamento de leitos com taxas acima de 70%" , diz trecho da nota técnica.