Em meio a recorde de casos e mortes por Covid, número 2 da Saúde rejeita lockdown nacional

Ricardo Brito
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Pandemia de Covid-19 no Brasil

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - Em meio ao pior momento da pandemia de coronavírus no país, com recordes de mortes e casos da doença, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, rejeitou nesta sexta-feira a possibilidade de adoção de um lockdown nacional ao avaliar que a Covid-19 se comporta de forma diferente em cada lugar.

Em entrevista coletiva, Elcio disse que cabe ao gestor local tomar uma decisão de restringir atividades levando-se em conta fatores como a variação da curva epidemiológica e grau de letalidade da doença. Destacou que essas situações que devem ser avaliadas para um lockdown.

"Por isso, não podemos adotar num país do tamanho do Brasil uma medida linear", afirmou Franco, que é a segunda mais elevada autoridade do ministério.

O secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Medeiros, reconheceu que o país vive nas últimas semanas os "fatos mais críticos da pandemia no nosso país", ao frisar que no início do ano houve um recrudescimento muito significativo de casos e mortes.

"A gente recomenda à população que mantenha-se evitando aglomeração, mantenha-se o uso de máscara, utilização do álcool gel, a etiqueta respiratória, o distanciamento mínimo de um metro entre as pessoas para que possamos, tomando essas medidas não-farmacológicas, contribuir de maneira significativa para (evitar) a transmissão do vírus", disse Medeiros.

A fala dos integrantes do ministério sem admitir algum tipo de restrição nacional de atividades está em linha com as posições o presidente Jair Bolsonaro, forte crítico desse tipo de medidas. Bolsonaro já chegou a dizer que a adoção de medidas assim teriam o objetivo de derrubar o seu governo.

UTIs

Durante a coletiva, as autoridades do ministério destacaram os esforços da pasta para garantir leitos de UTI Covid-19 em funcionamento, em meio a relatos de falta de vagas para atendimento de pacientes críticos país afora.

Segundo o secretário de Atenção Especializada em Saúde da pasta, Luiz Otávio Franco Duarte, o ministério repassou recursos aos entes regionais para que eles se estruturassem e depois ampliassem o fornecimento de leitos de saúde.

Contudo, Duarte disse ter ficado surpreso com o fato de que o governo federal repassou 3,9 bilhões para a criação de leitos de UTI-Covid no período, mas só houve o faturamento de cerca de 1,379 bilhão em recursos para essas unidades. Segundo ele, em tese, esses recursos passados a maior estariam ainda com Estados e municípios.

O secretário disse que, a partir de março, a autorização de novos leitos de UTI fica sujeita à aprovação do Orçamento deste ano pelo Congresso.

Bolsonaro tem criticado a atuação de gestores regionais no enfrentamento à pandemia em relação aos recursos enviados pelo governo federal, dizendo que estaria havendo mudança de destinação da verba até para o pagamento de folha salarial de servidores.

Os Estados, por sua vez, têm recorrido até ao Supremo Tribunal Federal para garantir o repasse de recursos federais para leitos de UTI.