Em 'Nos tempos do Imperador', Balthazar some: 'Um negro liberto que faz justiça', diz Alan Rocha

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Ator, músico, cantor, professor, pai... São muitas as funções do carioca Alan Rocha, que completa 41 anos amanhã repleto de motivos para comemorar. Com diversos projetos para 2021, ele está no ar em “Nos tempos do Imperador” como Balthazar, um dos líderes da Pequena África. O personagem ajuda escravizados que fogem e acaba na mira do policial Borges (Danilo Dal Farra), que persegue os negros na trama. Após um encontro com o guarda, ele e sua mulher Abena (Mary Sheila) desaparecem e deixam a Pequena África em rebuliço.

— Balthazar é um negro liberto e faz justiça tentando trazer os fugitivos para aquele lugar, para estarem juntos e fortalecendo esse vínculo. Interpretar este personagem, estar ali na Pequena África, que é um quilombo, e contar um pouco mais da cultura afro para o povo é superimportante — celebra Alan, que sonha mais alto: — Desejamos cada vez mais mostrar a história do nosso povo. Se pudesse, gostaria de ver uma novela falando só da Pequena África (risos)!

Balthazar também incentiva Samuel (Michel Gomes) a entrar no mundo da música, formando com ele um grupo de choro, um dos símbolos da cultura brasileira. Assim como o personagem, o intérprete toca cavaquinho e é fã desse gênero musical.

— Comecei a estudar cavaquinho por conta do pagode, mas fui mergulhando e acabei no samba, no choro e em todo esse universo — conta o artista, para destacar: — Instrumental, o choro é como se fosse a música clássica brasileira.

A vida de Alan, por sinal, parece até ser embalada por trilha sonora. Formado em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele já passou por grupos de pagode e toca na Orquestra Céu na Terra, que desfila em Santa Teresa, no Centro, durante o carnaval. Em 2019, ele lançou seu primeiro CD, “Alumiou”, e, agora, prepara novos singles. O primeiro, previsto para setembro, se chama “Cria da rapaziada”, uma mistura de samba, rap e funk. Além disso, o artista adianta que prepara um projeto para crianças chamado Clube Akorin.

— Como trabalho com pequenos há anos, tenho muitas músicas e pensava em colocá-las num EP. Com tudo o que vem acontecendo, a vontade de fazer esse projeto foi fortalecida. É voltado às crianças negras, e a ideia é trazer tanto nas letras quanto no ritmo a valorização da cultura afrobrasileira.

Casado com Josiane Rocha, Alan é pai de Ângelo Amani, de 10 anos, e de Júlio Akil, de 8, que já acompanham seus trabalhos. Os meninos, inclusive, estão por dentro de temas espinhosos tratados na novela, como a escravidão e o racismo:

— Sempre há um caso de racismo. É uma paulada atrás da outra! Conversamos com eles, que sabem de toda luta, dor e preconceito.

Assim como em “Nos tempos do Imperador”, Alan vive um personagem que ajuda escravizados no filme “Doutor Gama”, que estreou este mês e está disponível no Globoplay. O longa conta a história de Luiz Gama, advogado abolicionista que libertou mais de 500 negros.

— Não me lembro de ter ouvido falar de Luiz Gama na escola. Estou feliz de poder atingir o país todo com o filme — celebra o ator, frisando que, apesar dos avanços, a representação dos negros nas artes tem que melhorar: — Sempre batemos nessa tecla porque não vemos muitos negros em papéis de destaque. Queremos os nossos na tela e fora dela, como roteiristas e diretores. É só dar a oportunidade. Estamos preparados!

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