Em nova crítica ao lockdown, Bolsonaro diz que espera 'sinalização' do povo para tomar 'providência'

Daniel Gullino
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BRASÍLIA — Ao criticar os efeitos econômicos causados por medidas restritivas, que visam a conter a pandemia de Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que o Brasil "está no limite" e que há pedidos para que ele tome uma "providência". Bolsonaro disse que espera "o povo dar uma sinalização", mas não explicou o que seria feito.

Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, o presidente citou um levantamento que mostrou que mais de 125,6 milhões de brasileiros apresentaram algum grau de insegurança alimentar entre entre agosto e dezembro de 2020. Em seguida, disse que isso pode levar à fome, à miséria e ao desemprego.

— Vai ter escassez, o que é comum quando tem escassez? O preço sobe, inflação. Vão culpar quem? O Brasil está no limite. Pessoal fala que eu devo tomar providência. Estou aguardando o povo dar uma sinalização. Porque a fome, a miséria, o desemprego, estão aí. Só não vê quem não quer. Ou quem não está na rua. Eu sempre estive na rua.

Bolsonaro disse que não estava "ameaçando" ninguém, mas afirmou considerar que em breve haverá um "problema sério no Brasil", novamente sem explicar a que se referia.

— Não estou ameaçando ninguém, mas estou achando que brevemente teremos um problema sério no Brasil. Dá tempo de mudar ainda. É só parar de usar menos a caneta e um pouco mais o coração.

O presidente criticou governadores por medidas restritivas, classificadas por ele como "atos arbitrários" e disse que haverá "consequências":

— Como a fome está batendo agora, vai sobrar daqui a pouco, consequências desses atos arbitrários que alguns estão tomando por aí. Falar isso não é ofender um Poder ou outro, uma autoridade ou outra. É mostrar a realidade.

Ao final da conversa, voltou a dizer que só irá fazer o que "o povo quiser":

— Eu vou embora, só digo uma coisa: eu faço o que o povo quiser que eu faça, tá ok?