Em nova previsão, Ministério da Saúde deve divulgar protocolo de flexibilização do uso de máscaras até a próxima semana

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BRASÍLIA — O Ministério da Saúde deve divulgar o parecer que orientará a flexibilização do uso de máscaras até o fim da semana que vem. Detalhes do protocolo devem ser acertados até este sábado. Depois, o documento segue para o setor jurídico da pasta e para o ministro Marcelo Queiroga, que precisa aprová-lo antes da publicação. A data, contudo, ainda não foi definida.

— Estamos trabalhando, (deve sair na) próxima semana — afirmou a secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 (Secovid), Rosana Leite de Melo, ao GLOBO.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou ainda em junho que o ministro Marcelo Queiroga desobrigaria o uso da proteção facial. À época, o cardiologista afirmou que, na realidade, o mandatário havia solicitado a elaboração de um estudo a respeito do tema. Desde então, o ministério tem feito reiteradas previsões para a divulgação do material, mas não o concluiu.

Responsável pela elaboração do protocolo, o Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) da pasta entregou nota técnica à Secovid no fim de outubro. Foi quando a secretaria formou um grupo de trabalho para avaliar outros indicadores da pandeia, como cenário epidemiológico a níveis nacional e local, taxas de vacinação e quantidade de leitos disponíveis. A variante Delta, mais transmissível que a cepa original do coronavírus, também é uma variável.

A pasta ainda não detalha se o protocolo trará novas diretrizes sobre o uso facultativo de máscara somente ao ar livre ou também em espaços fechados. Para Queiroga, o avanço da vacinação deve possibilitar a flexibilização:

— Vamos trabalhar firmemente para termos um Natal sem máscara — disse, em evento em João Pessoa (PB) na última quarta

Locais como o Distrito Federal e o Rio de Janeiro já flexibilizaram em locais abertos. A cidade de São Paulo, que chegou a cogitar a medida, manterá a obrigatoriedade pelo menos até 5 de dezembro.

Para especialistas, contudo, só o avanço da vacinação não basta. O uso de máscara, aliado ao distanciamento social e à ventilação de ambiente, forma o tripé de medidas não farmacológicas contra a Covid-19.

— Estamos no melhor momento da pandemia, mas ela não está controlada. Um dos maiores problemas que tivemos nesse período foi a falta de comunicação. Sabemos que, mesmo pessoas vacinadas, devem manter as regras de prevenção. Até por uma questão de padronizar a comunicação, vejo como ideal manter o uso de máscaras em todos os lugares. Já tivemos exemplos negativos em outros países que flexibilizaram o uso de máscaras e o número de casos voltou a subir — afirma o consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Leonardo Weissmann.

A expectativa era de que a divulgação do documento ocorresse até o fim de outubro, com possibilidade de ser adiantado em duas semanas. Porém, o ministério decidiu aguardar o resultado de pesquisa, junto à Universidade de Oxford, sobre a eficácia da dose de reforço para pessoas de até 60 anos que tomaram CoronaVac.

Conforme anunciado por Queiroga, o protocolo passaria por revisão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Questionada pelo GLOBO, a instituição de ensino não se pronunciou até a publicação do texto. O ministério também não se pronunciou.

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