Em novo aceno, governador de SP libera bônus para 95 mil policiais civis e militares

SÃO PAULO — Em nova sinalização para o eleitorado conservador, o governador Rodrigo Garcia (PSDB), que é pré-candidato à reeleição, anunciou nesta terça-feira o pagamento de R$ 176,2 milhões em bônus para 95 mil policiais civis e militares de São Paulo.

O bônus se deve ao cumprimento de metas para a queda das estatísticas de criminalidade no primeiro e segundo bimestres de 2021 e as cifras podem chegar até R$ 5 mil. A liberação do repasse deve ocorrer em 23 de maio.

A medida foi anunciada em evento em que Rodrigo assinou um decreto para criação de uma medalha em homenagem aos 50 anos da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), tropa de elite da polícia paulista.

Desde que assumiu o cargo após a renúncia do ex-governador João Doria, Rodrigo trabalha para se descolar do antecessor e elegeu a segurança pública como uma das prioridades de sua gestão. Recentemente, o governador divulgou uma série de medidas para frear a alta de crimes patrimoniais, que se aproxima do registrado antes da pandemia, e as autoridades o relacionam ao aumento da circulação de pessoas. A expectativa do governo paulista é dobrar o policiamento atual, que é de 5 mil agentes, e chegar a 9,7 mil policiais.

O pacote de medidas na área de segurança pública vem à tona no momento em que São Paulo vive um aumento da criminalidade. Segundo reportagem do GLOBO, nos dois primeiros meses do ano, a capital registrou 20% mais furtos e quase 4% mais roubos do que no mesmo período de 2021. A atitude do governo estadual também ocorre após o assassinato de Renan Silva Loureiro, de 20 anos, morto com quatro tiros ao reagir a um roubo cometido por um falso entregador.

A promessa de endurecer o combate à criminalidade e evocar a ação da Rota tem sido recorrente nas eleições de São Paulo, mas hoje se torna mais urgente, segundo aliados do governador, em razão da simpatia das forças de segurança pelo presidente Jair Bolsonaro.Nome de Bolsonaro nas eleições do estado, o ex-ministro Tarcísio Freitas, disputa o mesmo eleitorado conservador no campo da centro-direita com o governador.

Ainda assim, o discurso voltado para área de segurança pode ser arriscado. Em 2002, o então candidato Paulo Maluf chegou a criar uma espécie de slogan "Rota na rua", mas não teve o mesmo sucesso eleitoral e acabou derrotado pelo ex-governador Geraldo Alckmin.

Em 2018, ao ser eleito Doria disse que a polícia iria atirar para matar. Já no governo, ele teve de moderar o tom depois que uma operação da PM deixou nove mortos na favela de Paraisópolis. Doria inclusive adotou uma política bem sucedida de uso de câmeras corporais nos uniformes dos policiais, o que reduziu a letalidade.

Na semana passada, Rodrigo disse que "bandido que levantar a arma para a polícia vai levar bala", mas depois amenizou o discurso e defendeu as câmeras nos uniformes dos policiais.

Agora, de acordo com pessoas próximas, o foco da ação do governador é tornar as polícias mais visíveis e presentes nas ruas, aumentando a sensação de segurança da população.

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