Em novo inquérito, Polícia investiga possível descarte irregular de resíduos da ETA Guandu

Giselle Ouchana
Segundo moradores, odor e cor da água do córrego são mais fortes no fim da tarde. Caso acontece há mais de 20 anos

A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) deve ouvir nos próximos dias o responsável pela Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu. A especializada instaurou um inquérito para apurar possível descarte irregular de resíduos oriundos dos decantadores da estação. A delegada Marcia Julião iniciou a investigação depois que o telejornal RJTV, da TV GLOBO, mostrou a água suja que sai da ETA e é despejada em um córrego da região.

De acordo com relatos de moradores à TV GLOBO, a cor e o odor da água costumam ficar mais fortes normalmente no fim da tarde, há mais de 20 anos. O professor do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Uerj, Adacto Ottoni, esteve no local e suspeita que o material saia da limpeza de decantadores.

— Tudo tem que ser investigado. O que eu vi é que o canal sai da estação de tratamento — observou. — Segundo os moradores, a vazão deste canal varia enormemente ao longo do dia, além de existir uma variação muito grande da qualidade da água. Isso caracteriza os indícios de que é água de lavagem com impurezas.

O especialista explicou ainda que as toxinas que podem estar entrando no Rio Cabenga, que deságua no Guandu Mirim e vai em direção à Baía de Sepetiba, podem atingir a cadeia alimentar e prejudicar a saúde dos animais e até humana.

— Os resíduos devem ser coletados, tratados e dados uma disposição final que não pode ser uma galeria de água pluvial ou um rio, pois acaba poluindo os corpos hídricos naturais —  concluiu.

Procurada, a Cedae ainda não se posicionou sobre o caso.