Em NY, Covas se diz voz dissonante a Bolsonaro e defende Acordo de Paris

MARINA DIAS
NOVA YORK, EUA, 15.07.2019 - CONSELHO-MIGRAÇÃO - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, durante atendimento à imprensa antes da abertura do Conselho de Migração dos Prefeitos, na sede das Nações Unidas de Nova York, nos Estados Unidos, neste segunda-feira, 15. (Foto: William Volcov/Brazil Photo Press/Folhapress)

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), aproveitou passagem por Nova York nesta segunda-feira (15) para escalar sua contraposição a Jair Bolsonaro (PSL) e defender políticas públicas em áreas que não são a prioridade do governo federal, como imigração, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.

Durante evento com outros prefeitos na sede da ONU, Covas se colocou como voz dissonante ao Planalto, defendeu o Acordo de Paris e disse que a agenda internacional não deve ser debatida exclusivamente por presidentes, mas também por governadores, prefeitos e pela sociedade civil.

"Enquanto o governo federal diz que mudança climática é assunto para cientista discutir, a cidade [de São Paulo] reafirma seu compromisso com o Acordo de Paris e vem aqui mostrar que no Brasil há uma voz dissonante, há vários governos locais que estão agindo dessa forma, para que a gente possa reduzir as emissões de gás de efeito estufa e a ampliação da temperatura da Terra", afirmou Covas.

O discurso do tucano vai de encontro a declarações de Bolsonaro e sua equipe, que costumam minimizar o aquecimento global e defender, inclusive, a saída do Brasil do Acordo de Paris --pacto assinado no fim de 2015 para criar metas que garantam a redução da emissão de gases do efeito estufa. 

Apesar de Bolsonaro ter revisto a decisão, Covas não poupou o presidente e disse que governos locais têm feito muito mais que a administração federal quando se trata de desenvolvimento sustentável no Brasil.

"Não é apenas o governo federal que deve participar dessas discussões, em especial aqui na ONU, outros agentes políticos podem participar e estamos fazendo muito mais para poder atingir essas metas."

Esta não é a primeira vez que o tucano destoa de seu perfil habitualmente discreto para afrontar o presidente e outros políticos. Ele já havia criticado, por exemplo, as propostas de Bolsonaro para alterar o Código de Trânsito Brasileiro e, recentemente, defendeu a expulsão do senador Aécio Neves (MG), acusado de corrupção, do PSDB.

A tentativa de Covas é ganhar espaço em um cenário político congestionado, no qual seu padrinho, o governador de São Paulo, João Doria, evita enfrentar publicamente o presidente -ou mesmo o tema de Aécio-, enquanto redesenha o PSDB como sua principal liderança.

Doria é mais liberal e dialoga com a centro-direita, enquanto Covas tem tentado acenar para a centro-esquerda no esforço de abarcar uma fatia do eleitorado que está decepcionada com o governador paulista.

Nesta segunda, durante o Mayors Migration Council em Nova York, além de meio ambiente, o prefeito de São Paulo tratou de migração e refugiados.

Disse que tem desenvolvido políticas ambientais na capital paulista como a troca, em 20 anos, da frota de 14 mil ônibus a diesel por carros que não emitam gases poluentes, e construído abrigos para refugiados e imigrantes.

"Enquanto alguns governos federais ainda estão discutindo o que fazer sobre o assunto, os prefeitos estão enfrentando o problema."