Em ofício ao Congresso, Pazuello omite redução de doses de vacina em março

Leandro Prazeres
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BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, omitiu da Câmara dos Deputados e do Senado uma redução no total de doses de vacina contra a Covid-19 a serem distribuídas em março deste ano. No ofício, Pazuello diz que o cronograma apresentado na semana passada pelo secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, estava mantido. Na ocasião, Franco disse que o governo distribuiria 38 milhões de doses neste mês. Desde a apresentação, porém, o próprio ministério anunciou seguidas reduções na quantidade de doses a serem distribuídas em março e essas previsões não foram mencionadas no material enviado aos parlamentares.

O ofício foi assinado eletronicamente pelo ministro Pazuello às 16h46. Ele foi uma resposta a questionamentos feitos por parlamentares em relação ao ritmo de vacinação no país.

O documento responde a cinco perguntas enviadas. A primeira delas foi: "O cronograma de vacinação apresentado pelo sr. Antonio Élcio Franco Filho, na qualidade de representante do ministério na sessão temática, está mantido na forma e nos prazos apresentados aos senadores?".

Na resposta, o ministro mantém o cronograma apresentado pelo subordinado. “Sim, o cronograma está mantido, na forma, nos prazos, conforme foi apresentado aos Senadores na referida sessão temática, pelo secretário-executivo do Ministério”.

Em outro trecho, ao responder novo questionamento sobre o assunto, o ofício volta a dizer que o cronograma apresentado por Franco na semana passada estava mantido.

"Não houve modificação no cronograma apresentado aos senadores, até o presente momento", diz o documento.

Durante a apresentação, Franco disse que a previsão era que o governo federal entregaria 38 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 ainda neste mês. No último sábado, porém, o próprio ministério divulgou uma nota modificando a quantidade estimada de vacinas a serem distribuídas em março, que saiu de 38 milhões para 30 milhões.Saíram desse total 8 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, que não chegariam a tempo — o laboratório ainda nem sequer pediu autorização para uso emergencial à Anvisa, com quem só se reunirá na semana que vem.

Em pronunciamento nesta segunda-feira na Fiocruz, Pazuello mencionou uma quantidade ainda menor para este mês, entre 25 e 28 milhões. E ao discursar nesta terça-feira no Palácio do Planalto, minutos antes de assinar digitalmente o documento enviado aos parlamentares, o ministro falou que em março seriam entregues entre 22 e 25 milhões de doses.

O GLOBO enviou questionamentos sobre o assunto para a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, mas ainda não obteve retorno.