Em operação na Vila Aliança, moradores reclamam de casas invadidas sem mandado e itens roubados: 'Precisam separar joio do trigo'

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Moradores de Vila Aliança, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, têm feito vídeos e fotos de exageros por parte da polícia durante operação que ocorre na região desde a última sexta-feira, dia 17. Nas imagens, agentes entram nas casas sem mandado e têm deixado as residências reviradas. Há ainda relatos de roubos e itens quebrados.

— A operação tem um propósito, nós não somos contrários a ela, mas existem maus policiais que estão se aproveitando. Fui acordado com um fuzil na minha cara e fiz um escândalo. A sorte que minha casa tem câmeras. Perguntei pelo mandado de busca e apreensão e não souberam me responder. Vi chegar um caminhão clandestino que está levando tudo, sofá, ar condicionado... Os policiais precisam separar o joio do trigo. Não é porque é morador de favela que tem relação com traficante. Também invadiram a casa da minha sogra e ameaçaram pegar o celular do meu filho — desabafa Kedson Pedro, funcionário público e ex-presidente da escola de samba Boêmios da Vila.

E ele não foi o único a relatar ameaças por parte dos agentes.

— Estava trabalhando e veio um policial dizer que tinha carro roubado no meu condomínio, que eu tinha rádio com frequência da polícia. Eu mostrei meu crachá. Sou trabalhador. E me ameaçaram, disseram que iam puxar minha ficha e me matar. Não entendi nada — diz um morador, que preferiu não ser identificado.

Pedindo paz, moradores se reuniram em um protesto e seguiram para a Avenida Santa Cruz com placas. Um ônibus foi atravessado na via e há relatos de troca de ritos. A Polícia Militar desobstruiu a via por volta das 15h. Na última sexta, dia 17, a corporação explicou o objetivo principal da incursão é retirar barricadas que impedem a livre circulação de veículos pela Vila Aliança.

Neste domingo, dia 19, foram divulgadas imagens dos agentes desobstruindo uma linha férrea. A PM também mostrou as apreensões feitas pelo Batalhão de ações com cães. Sobre as reclamações dos moradores, procurada pela reportagem, a corporação disse em nota quais são os meios oficiais para registrarem denúncias.

"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que a Corregedoria da Corporação segue ao total dispor da população para a recepção de denúncias por meio de seus canais oficiais: telefone (21) 2725-9098, pelo e-mail denuncia@cintpm.rj.gov.br, ou ainda, pelo WhatsApp da Corregedoria (21) 97598-4593.O anonimato é garantido".

Apesar da garantia de anonimato, a forma como agentes têm agido na operação tem deixado os moradores apreensivos a fazer denúncias.

— Está todo mundo com medo. Morar em comunidade é complicado. Nós queremos agir, fazer novas passeatas pacíficas, levar até nota fiscal do que foi roubado. Espero que continuem com a operação, mas do jeito certo. Não estamos contra a polícia. Mas essas atitudes me fizeram lembrar a época da ocupação no Alemão. A gente não tem ajuda de ninguém — diz Kedson.

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