Em pacote de 150 obras em 100 dias, concessionária Águas do Rio inclui promessa de acabar com mau cheiro em Copacabana

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RIO — Ao assumir, nesta segunda-feira, a prestação dos serviços de água e esgoto em 124 bairros da cidade do Rio e outros 26 municípios, a concessionária Águas do Rio promete realizar 150 obras nos próximos 100 dias para, de imediato, melhorar o atendimento na área de abrangência da operação. A lista de intervenções que a substituta da Cedae pretende pôr em andamento a curto prazo tem medidas há muito tempo aguardadas, como a que pretende eliminar o mau cheiro que costuma impregnar as imediações do Posto 5, em Copacabana, além de ações em São Gonçalo, Itaboraí e cidades da Baixada Fluminense e do interior.

Segundo o presidente da concessionária, Alexandre Alexandre Bianchini, as 150 obras dos próximos três meses privilegiam problemas de “rápida solução” e com alto impacto na vida dos fluminenses. A que acabará com o cheiro ruim em Copacabana começou nesta segunda-feira, na Estação Elevatória de Esgoto do bairro.

— É uma obra que vai captar todo o odor que sai da elevatória e levar para duas câmaras de gás, onde é feito o tratamento químico. Com isso, o cheiro acaba e o gás é liberado. Importante dizer que isso não é uma experiência, temos (a solução) em outras concessões do grupo Egea (responsável pela empresa Águas do Rio), e é um sucesso — pontuou Bianchini.

Além de ações como a de Copacabana, o executivo ressaltou reformas em estações de tratamento que hoje estão deterioradas no interior do estado.

— (Entre as obras) Temos extensão e substituição de rede, substituição de bombas de elevatórias para abastecer as comunidades... Estamos atuando no estado inteiro, com essas mais de 100 obras, visando diretamente a vida das pessoas — disse.

Em São Gonçalo, por exemplo, a implantação de 1.270 metros de rede de água vai beneficiar mais de 13 mil pessoas nos bairros Mutuapira e Estrela do Norte. Na vizinha Itaboraí, 15 mil moradores do Centro do município terão o atendimento melhorado com uma limpeza e interligação para colocar em operação um reservatório de 1 mil metros cúbicos de água. Na Baixada, entre outras obras, Duque de Caxias terá substituição de redes de água e a instalação de uma elevatória; e São João de Meriti receberá a ampliação da rede de distribuição de água para atender ao bairro Vila União.

Paralelamente, diz Bianchini, a empresa trabalhará em obras de maior complexidade, com investimentos a longo prazo, como a instalação de um coletor de esgoto em torno da Baía de Guanabara, que deve custar R$ 2,7 bilhões.

Um conjunto de obras no valor total de R$ 650 milhões também acontecerá em pontos de Queimados, Japeri e Nova Iguaçu, com o objetivo de evitar a poluição da Bacia do Rio Guandu, onde é feita a captação de água que abastece cerca de 9 milhões de pessoas na Região Metropolitana, incluindo a capital. Ambas as intervenções, compreendidas por Bianchini como os dois primeiros “grandes marcos” da nova concessão, devem ser finalizadas nos próximos cinco anos.

— As obras de recuperação das estruturas existentes da Cedae, como as grandes estações de tratamento de esgoto, as grandes elevatórias de água, isso tudo vai ocorrer em paralelo, mas são obras mais demoradas. Teremos dois grandes marcos. Um é o grande coletor em torno da Baía de Guanabara, para evitar que o esgoto caia ali e seja levado para as estações de tratamento de esgoto, além de obras em Queimados, Japeri e Nova Iguaçu, para evitar a poluição da Bacia do Rio Guandu — informa Bianchini. — O total de investimentos do primeiros cinco anos é R$ 7,2 bilhões. Até o 12º ano, serão R$ 19 bilhões. Segundo a legislação brasileira, até 2033 devemos ter universalizado o sistema de água e 90% do esgoto deve ser coletado e tratado. Até o fim da concessão, serão R$ 24 bilhões.

Parte das ações foram detalhadas nesta segunda-feira durante cerimônias, na Mangueira e na Barreira do Vasco, para lançamento do projeto “Vem com a gente”. O programa é uma resposta à falta de segurança, um dos entraves das empresas de serviços, como fornecimento de água e energia, para atuar em áreas de risco na realização de serviços de reparos, no cadastramento na tarifa social e no combate às ligações clandestinas, os chamados “gatos”, seja em regiões dominadas pelas milícias ou pelo tráfico. Lançado no dia de estreia da concessionária, o projeto já tem 1,2 mil moradores contratados, de um total que chegará a 2,2 mil funcionários.

— Mais de mil lideranças comunitárias estão em contato conosco. A aproximação nos permite entrar nesses territórios com grande sucesso. Todos temos o mesmo objetivo: melhorar o serviço prestado — afirma Guilherme Campos, superintendente de Comunidades da Águas do Rio. — O projeto vai durar até 2024, expandindo-se gradativamente para todas as comunidades da região de atuação da empresa.

Processo seletivo

A assistente social Pâmela Fagundes, moradora da Mangueira, garantiu uma vaga. Ela estava desempregada desde 2019, e conseguiu o primeiro emprego de carteira assinada em sua área de formação.

— Em muitos locais não há o mínimo de saneamento: a água não chega, e o esgoto corre na porta dos moradores. Quero ajudar a mudar essa realidade — diz Pâmela.

Alexson de Matos, morador da Providência, também foi contratado. Antes da admissão, era entregador. Ontem, assumiu o cargo de agente comercial, responsável pela leitura dos hidrômetros.

— É uma área nova para mim, e estou aproveitando a oportunidade de capacitação. Eu, que não tinha muita esperança de achar um emprego legal, ganhei muito mais do que isso: saber que vou trabalhar na minha comunidade é gratificante — ressalta.

O processo seletivo segue até o fim do ano. Interessados podem acessar o site aguasdorio.com.br e clicar em “Carreiras” para inserir seus dados.

Há ainda um segundo projeto para melhorar o atendimento nas comunidade. É o “Afluentes”, no qual líderes comunitários têm contato direto por Whatsapp com a Superintendência, além de reuniões periódicas, onde poderá relatar os problemas locais a serem resolvidos.

A concessionária — que venceu os leilões dos blocos 1 e 4 da Cedae — estará presente em 124 bairros da capital do estado (Zona Sul, Norte e Centro), além de outros 26 municípios: Aperibé, Cachoeiras de Macacu, Cambuci, Cantagalo, Cordeiro, Casimiro de Abreu, Duas Barras, Itaboraí, Itaocara, Magé, Maricá, Miracema, Rio Bonito, Saquarema (3° Distrito), São Gonçalo, São Francisco de Itabapoana, São Sebastião do Alto, Tanguá, Belford Roxo, Duque de Caxias, Japeri, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados, São João de Meriti.

Vencedora do leilão do bloco 2 da Cedae, a Iguá Rio de Janeiro S.A. assume sozinha a concessão dos serviços públicos de abastecimento de água potável e de esgotamento sanitário a partir de fevereiro. Desde agosto, a gestão vem sendo compartilhada com a Cedae. O bloco 2 compreende os seguintes bairros da Zona Oeste do Rio: Barra da Tijuca, Camorim, Cidade de Deus, Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Anil, Grumari, Itanhangá, Jacarepaguá, Joá, Pechincha, Recreio dos Bandeirantes, Tanque, Taquara, Vargem Grande, Vargem Pequena e imediações, bem como os Municípios de Paty do Alferes e Miguel Pereira.

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