Em palestra a militares, Aras prega leitura da Constituição "sem ousadia"

Aras participa da cerimônia do Dia do Soldado em Brasília

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu nesta terça-feira, em palestra a militares, a leitura da Constituição "sem a ousadia" de mudar suas palavras, acrescentando que os integrantes do que chamou de sistema de Justiça --juízes e procuradores, por exemplo-- não recebem voto do povo.

"A Constituição de 1988 é a nossa profissão de fé e a nossa prática. É nesta Constituição que nós devemos ler, sem a ousadia de mudar as palavras para reescrever a Constituição", disse Aras na sede do comando da Força Aérea, com a presença do comandante, tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior.

"Nós, do sistema de Justiça, não recebemos voto do povo. Quem recebeu voto do povo foram os parlamentares, o presidente da República, o prefeito, o governador, o deputado, o vereador. Nós estamos aqui, para agir, dentro da Constituição e das leis", completou ele.

A fala de Aras se dá em meio ao embate do procurador-geral com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que atualmente preside do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após o magistrado ter ordenado uma operação contra empresários bolsonaristas na semana passada sem ter pedido uma manifestação prévia do Ministério Público.

O procurador-geral já reclamou desse expediente de Moraes. Nesta terça, o ministro do STF determinou o envio da decisão dele que ordenou a operação para a manifestação da PGR. Moraes e Aras teriam uma reunião nesta tarde.

Na palestra, Aras disse reconhecer o grande valor da FAB para o país.

"Da posição privilegiada dessa instituição de Estado não escapa a percepção de que momentos de crise têm uma dupla condição: o risco e a oportunidade. Estamos num momento em que devemos nos apropriar de ambos para mitigar perdas e favorecer nosso desenvolvimento", afirmou.

"Que esses dias nos revelem a oportunidade de continuar fazendo da República Federativa do Brasil um exemplo de pluralidade, prosperidade e sustentabilidade, no compasso da Constituição", frisou.