Em panfletos, Crivella volta a fazer acusações falsas contra Paes e o PSOL

Pedro Capetti e Paulo Cappelli
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Foto: Foto: Guilherme Pinto/O Globo
Foto: Foto: Guilherme Pinto/O Globo

RIO - No último domingo de campanha eleitoral antes do segundo turno, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) voltou a apelar para pauta de costumes na tentativa de reverter o cenário negativo apontado pelas pesquisas de intenção de voto. Em agenda neste domingo na Praça Seca, na Zona Oeste da cidade, Crivella distribuiu panfletos afirmando que Eduardo Paes (DEM) é defensor da legalização do aborto, da liberação das drogas e do "kit gay" nas escolas municipais, além de associar o ex-prefeito ao PSOL.

Paes rebateu as acusações feitas pelo adversário numa agenda de campanha em Santa Cruz, também na Zona Oeste. O ex-prefeito afirmou que "é mais fácil" o Republicanos, partido de Crivella, integrar sua base em caso de vitória "do que o PSOL". Ele acusou o rival de espalhar mentiras porque está "no desespero".

— Crivella tenta botar na minha conta aliança com partidos de esquerda. Vou dizer uma coisa para vocês, sem querer cantar vitória antes do tempo: é mais fácil o partido dele estar na minha base do que o PSOL estar na minha base — disse Paes, fazendo alusão ao fato de, quando prefeito, o Republicanos ter votado diversas matérias a favor de seu governo, ao passo que o PSOL sempre esteve na oposição.

O ex-prefeito também falou sobre o panfleto apócrifo produzido pela campanha de Crivella.

— Ele tenta botar pautas que a gente nunca defendeu, como o aborto, a legalização das drogas e o kit gay. O único kit que distribuímos foi de uniforme escolar — afirmou Paes.

No material distribuído pela campanha de Crivella, o ex-prefeito aparece ao lado do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) com a mensagem "Eduardo e seus amigos defendem", seguido dos temas citados. O panfleto traz ainda, como oposição, Crivella e sua vice, a tenente-coronel Andréa Firmo (Republicanos), contrários às mesmas pautas.

Ao todo, segundo informações que constam no próprio material distribuído, 1,5 milhão de panfletos desse tipo foram impressos na Gráfica e Editora Príncipe da Paz, em Duque de Caxias, por meio do CNPJ da vice Andréa Firmo.

Na noite de sábado, Freixo publicou uma mensagem no Twitter afirmando que processaria Crivella pelas acusações. Na manhã deste domingo, perguntado sobre a possibilidade de ser processo pelo PSOL e pelo deputado diante das acusações, o candidato à reeleição disse estar "tranquilo".

— O importante é eles cuidarem dos processos que respondem por corrupção, isso que é importante, processo por roubo de dinheiro. Isso que é importante, o resto é bobagem. Estou tranquilo com relação a isso — disse, sem citar quais seriam esses procedimentos judiciais.

Ao lado do vereador eleito Felipe Michel (PP), Crivella disse que manterá uma agenda intensa de rua na última semana de campanha. Durante o primeiro turno, o prefeito optou por agendas mais controladas e restritas, diante da rejeição em torno de 60% registrada em pesquisas do Ibope e do Datafolha.

— A estratégia de campanha é rua, conversar com as pessoas, falar com elas a realidade do nosso governo, explicar pra ela que o que precisamos é ter muita consciência. O eleitor do Rio de Janeiro já me derrotou e elegeu o Cabral, já me derrotou e elegeu o Pezão, não foi bom nem pra eles, nem pro povo.

Questionado sobre o fato do presidente Bolsonaro negar a existência da segunda onda de Covid-19, enquanto o prefeito afirmou que é “o mais preparado” para encarar um possível novo pico da pandemia, Crivella não respondeu, limitando-se a dizer que “estamos preparados”.

A alta rejeição é um desafio para o prefeito na cidade. Após a visita a Praça Seca, Crivella foi para as intermediações do Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, onde pretendia fazer uma caminhada pela localidade, com duração de aproximadamente uma hora. Na região, o prefeito estava ao lado dos vereadores Celso Costa e Ulisses Martins, ambos do Republicanos.

Após ser hostilizado por alguns moradores sobre a situação da saúde na região, o prefeito correu com seguranças em direção ao carro de som, onde iniciou a carreta antecipadamente, antes prevista para 11h30. No primeiro turno, o prefeito já havia sido hostilizado na mesma região.