Em plano para enfrentar chuvas de verão, prefeitura drena 123 rios e elimina alguns pontos de alagamento

A prefeitura apresenta, nesta quarta-feira, detalhes do Plano Verão, de prevenção a enchentes entre outros incidentes provocados pelos temporais. Algumas intervenções já foram concluídas enquanto que outras ainda estão em andamento. A drenagem de rios em pontos considerados importantes é uma dessas intervenções. Ao todo, os serviços estão sendo executados em 123 dos 267 cursos d’água da cidade, entre rios, riachos, canais e arroios. Entre as áreas que passaram por dragagem, estão os rios Maracanã e Joana (Tijuca), Canal do Mangue (Centro) e rios Grande e Covanca, em Jacarepaguá.

Segundo a secretária municipal de Infraestrutura, Jessick Trairi, a estimativa é que sejam removidos 315 mil toneladas de sedimentos do fundo dos rios, índice que só foi registrado em 2014. Esse material seria suficiente para encher 315 piscinas olímpicas de detritos. O total acumulado até outubro chegava a 278,5 mil toneladas. O gasto total em drenagem deve chegar a 32,4 milhões, contra R$ 11,6 milhões em 2021.

Nesse cálculo estão contratos de manutenção específicos para alguns pontos da cidade. Entre essas áreas estão os canais que fazem a drenagem da Rocinha bem como do Jardim Maravilha (Guaratiba). Mas no caso do Jardim Maravilha, a solução definitiva ainda vai demorar. A prefeitura ainda está em fase de projeto de um plano para construir um sistema de barrages em torno do loteamento para conter as enchentes.

Entre os trechos críticos que sofreram intervenções este ano para eliminar pontos que normalmente enchem estão o entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas e Guaratiba. Na Lagoa, a Secretaria de Infraestrutura prevê terminar ainda em dezembro as obras de melhoria da drenagem na Avenida Borges de Medeiros na altura do Parque dos Patins. As obras começaram em agosto, primeiro no sentido Rebouças e agora as intervenções se encontram nas faixas em direção ao Leblon.

Em Guaratiba, terminaram na segunda-feira as obras de melhoria na drenagem da Estrada da Pedra, nas imediações da estação Pingo D’água, um dos pontos tradicionais de alagamento da região, segundo dados acumulados pelo Centro de Operações Rio (COR).

Ao todo, foram drenados cerca de 4,1 mil metros quadrados. E as calçadas e meio-fios foram refeitos. Mas, mesmo com as intervenções, muitos pontos tradicionais de alagamento não foram eliminados. Ou seja, em caso de chuva forte podem haver transtornos. E em caso de chuva forte não se pode descartar que alagamentos voltem a acontecer.

Entre esses pontos estão as ruas do Catete e da região da Lapa, cujas redes de drenagem são antigas. Nesses casos, a solução vai ser deslocar equipes de manutenção em caso de necessidade de desobstruir bueiros. Há ainda outras áreas cuja urbanização foi mais recente, mas ainda assim, os problemas existem. São os casos, por exemplo, dos mergulhões construídos há poucos anos na Barra da Tijuca.

Alguns desses trechos encheram em temporais registrados nas últimas semanas. No início de novembro, por exemplo, foram registrados bolsões d’água em Curicica, Taquara, Centro, Lagoa e Jardim Botânico. — Nesses casos, o protocolo será implementado. Teremos equipes descentralizadas para desobstruir bueiros e realizar outras intervenções — acrescentou a secretária de Infraestrutura, Jessick Trairi.

Entre as áreas que também continuam a alagar está a Engenheiro Souza Filho (Rio das Pedras), cuja drenagem também é insuficiente. O Rio das Pedras, no entanto, está entre os cursos de água que passaram por intervenções.

Apesar dos piscinões terem evitado o alagamento completo da Praça da Bandeira, o município pode, por prevenção, bloquear os acessos à via em casos de chuvas fortes. O Centro de Operações (COR) também deve repetir boa parte do plano de contingência adotado nos verões anteriores. Um deles diz respeito ao fechamento de vias em encostas no caso de chuvas fortes.

Na Avenida Niemeyer, por exemplo, as interdições ocorrem se o índice acumulado chegar a 5 milímetros em uma hora. Há também protocolos para fechar outras vias em encostas como a Avenida Menezes Cortes e a auto-estrada Grajaú-Jacarepaguá.