Em plena pandemia, Boris Johnson anuncia maior investimento militar desde GF

Anna CUENCA
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(Arquivo) Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson(centro), reúne-se com o pessoal militar na área de treinamento de Salisbury, Inglaterra, em 19 de setembro de 2019
(Arquivo) Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson(centro), reúne-se com o pessoal militar na área de treinamento de Salisbury, Inglaterra, em 19 de setembro de 2019

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou nesta quinta-feira (19) o maior investimento militar feito desde o fim da Guerra Fria no Reino Unido, que incluirá um comando espacial, uma agência de Inteligência Artificial e uma força cibernética.

Estimado em 16,5 bilhões de libras (US$ 22 bilhões) para os próximos quatro anos, o plano foi apresentado por Johnson ao Parlamento por videoconferência, direto de Downing Street. O premiê se encontra em quarentena, após ter estado em contato com um deputado que testou positivo para o novo coronavírus.

"Decidi que a era dos cortes de defesa deve terminar e terminar agora", disse ele, pedindo o fim do "retrocesso" para fortalecer a influência britânica no mundo.

"Tomei essa decisão em meio à pandemia (...) porque a defesa do reino (...) deve ser a prioridade", acrescentou.

Junto com sua promessa eleitoral de aumentar o orçamento militar britânico anual em 0,5% acima da inflação, esse investimento adicional sem precedentes nos últimos 30 anos significa 24,1 bilhões de libras a mais para as Forças Armadas.

Este aumento levará o orçamento militar a 190 bilhões de libras nos próximos quatro anos, reforçando a posição do Reino Unido como o país europeu que mais gasta em Defesa (2,2% do Produto Interno Bruto), e o segundo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), atrás dos Estados Unidos.

Em meio a uma pandemia que atingiu o país com 53.000 mortes e à pior recessão da história recente, o líder da oposição Keir Starmer se perguntou "como esse anúncio será pago".

"Haverá endividamento adicional, ou aumento de impostos, e, se sim, quais, ou o dinheiro terá que vir de outros ministérios?", lançou, sem obter resposta precisa.

Johnson não quis responder se os fundos procederão de um corte na generosa ajuda britânica ao desenvolvimento, atualmente fixada em 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Com ameaças crescentes de países como Rússia e China, "a situação internacional é mais perigosa e intensamente competitiva do que em qualquer momento desde a Guerra Fria, e o Reino Unido deve ser fiel à sua história e apoiar seus aliados", disse o primeiro-ministro, em um aparente aceno para o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

Diante de novas ameaças como ataques cibernéticos, o Reino Unido também pretende "ser um pioneiro em novas tecnologias", declarou, anunciando a criação de uma nova agência dedicada à Inteligência Artificial, uma Força Cibernética Nacional e um novo "Comando Espacial" para lançar seu primeiro foguete em 2022.

São "tecnologias que vão revolucionar a guerra", alegou Johnson.

acc/mb/tt