Em posse, ministra diz que Bolsonaro não governou nem para mulheres nem para família

BRASÍLIA, DF, 03.01.2023 - CIDA-GONÇALVES: Cida Gonçalves toma posse como ministra da Mulher, em cerimônia realizada no CCBB, em Brasília, nesta terça-feira. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 03.01.2023 - CIDA-GONÇALVES: Cida Gonçalves toma posse como ministra da Mulher, em cerimônia realizada no CCBB, em Brasília, nesta terça-feira. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A chefe do Ministério das Mulheres do governo Lula (PT), Cida Gonçalves, tomou posse nesta terça (3) em um auditório lotado por movimentos feministas, que entoaram palavras de ordem e críticas ao governo Jair Bolsonaro.

Durante seu discurso, Gonçalves afirmou que o cenário deixado por Jair Bolsonaro (PL) no campo dos direitos das mulheres é de destruição.

"Neste projeto de destruição, a mulher como sujeito de direito só foi vista e pensada dentro de uma construção determinada de família patriarcal, como se houvesse apenas um tipo de mulher e um tipo de família a ser atendida pelas políticas públicas", disse a nova ministra em cerimônia no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília.

Sem citar nominalmente a ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que ocupou o cargo durante quase toda a gestão anterior, a ministra disse que a pasta usurpou as bandeiras e "não cuidou nem das mulheres nem das famílias nem dos direitos humanos".

"Muito pelo contrário. A destruição dos direitos das mulheres no último governo não foi um acaso, mas um projeto. Um projeto político de invisibilização e sujeição da mulher", afirmou.

Gonçalves criticou também o corte orçamentário do ministério. Na proposta de Orçamento enviada por Bolsonaro ao Congresso em 2022, estavam previstas reduções de recursos em dois terços dos programas voltados às mulheres.

"Para 2023, conseguimos no grupo de trabalho [da transição] reverter parcialmente essa perda para dar continuidade aos programas prioritários da pasta", afirmou.

Ela afirmou que o ministério será "para todas as mulheres" e citou três eixos principais de trabalho, que ficarão alocados em três secretarias. A Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência, que pretende reduzir os índices de feminicídios; a Secretaria Nacional de Autonomia e Cuidados, responsável por políticas de igualdade no mercado de trabalho, e a Secretaria de Articulação Institucional e Participação Política, voltada para ações de articulação política feminina.

A pauta da descriminalização do aborto e os direitos reprodutivos, que ficou sob ataques de grupos conservadores durante a gestão Bolsonaro, não foram citados pela ministra -apesar de, na plateia, se acumularem representantes de movimentos pelo aborto legal e bandanas verdes, símbolo dos grupos pró-legalização.

Compareceram à cerimônia as ministras Anielle Franco (Igualdade Racial), Marina Silva (Meio Ambiente), Sonia Guajajara (Povos Indígenas), Esther Dweck (Gestão), Daniela Carneiro (Turismo) e Margareth Menezes (Cultura).

Margareth chegou a dar uma palinha nos microfones durante a execução da música "Maria, Maria", de Milton Nascimento. Em clima de festa, as ministras presentes se levantaram e deram as mãos no palco.

Também estavam no palco a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, a secretária-executiva do ministério, Maria Helena Guarezzi, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), e as parlamentares Benedita da Silva (PT-RJ) e Eliziane Gama (Cidadania-MA).

A primeira-ministra, Janja, não compareceu à posse. Ela enviou uma carta que foi lida pela mestre de cerimônias.