Em preparação para Tóquio, paratenista retorna de período na Europa com três títulos na bagagem

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O esporte é palco de diversas histórias de superação, e o catarinense Ymanitu Silva é prova disso. O paratenista acaba de completar o “tour” que fez pela Europa neste mês trazendo uma série de troféus para casa. Ao todo, ele conquistou o Vilamoura Open, em Portugal (no simples e nas duplas), o Kemal Sahin Open e o Sahin Kirbiyik Open, ambos na Turquia (também no simples e nas duplas), além do segundo lugar com a seleção brasileira de tênis em cadeira no BNP Paribas World Team Cup, classificando a equipe para o Mundial, que será disputado em outubro, na Itália.

A relação de Ymanitu com o esporte começou bem cedo. Mesmo tendo praticado futsal por equipes escolares, tendo disputado até mesmo torneios estaduais pela equipe da escola, o gosto pelo tênis foi “amor à primeira vista”. Aos 10 anos, incentivado pela família, ele foi matriculado em uma escolinha da modalidade, ainda em Tijucas, na Região Metropolitana de Florianópolis, local onde nasceu.

— A minha família sempre priorizou o esporte, sempre apoiou essa prática, porque ajuda muito no desenvolvimento da criança. Então, nessa idade, me apresentaram o tênis, e eu logo comecei a praticar na escolinha. Gostei do esporte desde o primeiro momento, e acabei me apaixonando, começando a disputar torneios regionais e estaduais, e já pensando em ser atleta profissional — relembra.

No entanto, o sonho teve de ser interrompido. Primeiro pela impossibilidade de arcar com as despesas da modalidade, relativamente altas na década de 90. Ymanitu, então, decidiu cursar Administração, passando a trabalhar nos negócios da família, virando apenas um “atleta de fim de semana”, como ele mesmo brinca.

Pouco tempo depois, em 2007, ele sofreu um grave acidente de carro, que o deixou tetraplégico. No entanto, a ajuda na recuperação e a volta do sonho de se tornar tenista surgiria no ano seguinte. Durante tratamento no Centro Internacional de Neuroreabilitação e Neurociências Sarah Kubitschek, no Rio, ele conheceu os seus “padrinhos no esporte”: Rejane Candida, atleta paralímpica do tênis que estava no local para operar o ombro, e Wanderson Cavalcante, então coordenador do tênis em cadeira de rodas da Confederação Brasileira de Tênis.

— Ela começou a me contar sobre a vida dela de tenista, que viajava, rodava o mundo todo praticando o esporte. Ela insistiu para que eu tentasse retomar a prática do tênis. E o Wanderson acabou conseguindo um setor especialmente para mim, voltado para essa preparação. Quando eu sentei na cadeira e vi que dava para jogar de novo, voltou aquele sonho de criança de me tornar um atleta profissional e tentar realizar os sonhos que eu tinha antes — conta.

A partir dali, ele abraçou os treinos e começou a se dedicar à carreira no tênis, retomando o antigo sonho. A nova rotina de Ymanitu inclui os treinamentos (tanto técnicos quanto físicos, na ADK Tennis, em Florianópolis) feitos no turno da tarde, logo após o trabalho como assistente administrativo na área de marketing durante a manhã, ambos de segunda a sexta.

A viagem do tenista à Europa marcou o retorno dele aos torneios, que servem de preparação para as Paralimpíadas deste ano. A inspiração na carreira, ele conta, vem do ex-tenista e atual comentarista Gustavo Kuerten. Em 2019, Ymanitu teve a oportunidade de disputar o Grand Slam de Roland Garros com a presença do ídolo na arquibancada, “passando boas energias”, como ele relembra. A mãe também é outra fonte de inspiração para ele, a quem o paratenista credita todo suporte para a vida, dentro e fora das quadras.

— Meu maior sonho como atleta é buscar uma medalha paralímpica. É um sonho que venho buscando há algum tempo. No Rio, em 2016, eu fiquei nas quartas de finais, muito perto de disputar uma medalha. É uma batalha de anos, que alimenta esse sonho, a partir de muito esforço, muita dedicação. E a gente precisa sempre acreditar que tudo é possível. É um lema que eu tenho e passo para todo mundo — destaca.

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