Em primeiras inserções na TV, Lula fala de inflação de alimentos e Bolsonaro tenta colar no Auxílio Brasil de R$600

Mulher passa por camelô vendendo toalhas do ex-presidente Lula e do presidente Jair Bolsonaro

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - No primeiro dia de divulgação de vídeos de campanha eleitoral na televisão, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou colar em sua figura o Auxílio Brasil de 600 reais, enquanto seu principal adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lembrou sua experiência como presidente, falou de inflação e criticou a gestão de Bolsonaro durante a pandemia.

Com sete inserções diárias de 30 segundos, Lula tem o maior número entre os candidatos, seguido por Bolsonaro, com seis. Nesse primeiro dia, a campanha de Lula pôs três vídeos no ar.

No primeiro deles, o ex-presidente fala do que hoje é um dos temas centrais da sua campanha: a inflação e a fome. "Enquanto o salário não cresce, a comida aumenta todos dia", diz Lula, que promete voltar a dar um aumento real ao salário mínimo.

No segundo spot, o destaque é a experiência de Lula como estadista, com fotos ao lado de pessoas comuns e também chefes de Estado, com o slogan "Ele é o cara, o cara está voltando".

O terceiro vídeo, que fora divulgado na semana passada nas redes sociais, ataca diretamente Bolsonaro ao colocar no ar frases do presidente durante a pandemia, como quando ele imita uma pessoa com falta de ar, quando chama a Covid de gripezinha, e também quando diz que o Brasil precisa deixar de ser um "país de maricas". O vídeo acaba com a frase "não esqueceremos", mas sem a assinatura da campanha de Lula.

Já Bolsonaro se concentrou nos primeiros vídeos em tentar mostrar às pessoas que o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, é um programa do seu governo. Em um jingle que começa com "Bolsa Família não existe mais, agora é Auxílio Brasil", a campanha destaca o valor de 600 reais e que "Auxílio Brasil é do Bolsonaro".

Uma das dificuldades relatadas internamente pela campanha do candidato à reeleição é que as pessoas relacionem o novo programa com o presidente, já que o Bolsa Família, que deu origem ao Auxílio, foi criado por Lula e ainda é vinculado ao petista.

O segundo problema é a informação de que o programa voltará a ser de 400 reais a partir de janeiro do próximo ano, já que o aumento para 600 foi garantido apenas até dezembro e, apesar de ter prometido manter o valor, o Orçamento feito pelo governo Bolsonaro para 2023 prevê a volta para 400.

O segundo vídeo tem o presidente falando na criação do programa e prometendo que os 600 reais serão mantidos, "dentro da responsabilidade fiscal."

No sábado, serão apresentados os primeiros programas partidários para presidente no horário eleitoral gratuito. A coligação de Lula, formada por 10 partidos, terá direito a 3 minutos e 20 segundos de tempo de tevê e rádio, enquanto Bolsonaro terá 2 minutos e 40 segundos.