Em primeiro lugar nas pesquisas, Bruno Covas vira alvo de adversários em debate

Dimitrius Dantas
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SÃO PAULO – Em primeiro lugar e subindo nas pesquisas de intenção de voto, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), foi o principal alvo de críticas durante um debate organizado pelo “O Estado de S. Paulo” e a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) com os seis principais candidatos à Prefeitura. O encontro foi realizado após a última pesquisa do Ibope indicar crescimento do tucano enquanto Guilherme Boulos (PSOL), Celso Russomanno (Republicanos) e Márcio França (PSB) aparecem empatados tecnicamente na segunda colocação.

Durante o debate, Covas foi questionado por adversários sobre problemas na saúde, nas creches e no transporte, além de questões políticas no entorno de sua campanha. Questionado pela ausência do governador João Doria (PSDB) na sua campanha, Covas destacou que o candidato é ele e lembrou de obras e programas em que os dois atuaram juntos na capital.

– Estranho seria o governador abandonar os 644 municípios do estado para focar apenas na cidade de São Paulo – disse Covas, antes de completar: – Esse é um não-assunto, o tema importante é focar na cidade de São Paulo, nos problemas que temos que vencer nos próximos quatro anos.

A resposta foi ironizada por Márcio França, que vem se posicionando como antagonista do governador João Doria no estado após perder a eleição para o tucano para o Palácio dos Bandeirantes há dois anos.

– De fato, a tarefa do Bruno é hercúlea porque o João Doria é um contêiner para arrastar. É difícil arrastar, é ladeira acima. Uma pessoa difícil, se mete em todas as coisas, se mete em prefeitura, subprefeitura – disse.

Em outro ponto do debate, Covas foi questionado por Boulos sobre desigualdade na saúde da cidade, lembrando a diferença entre o índice de mortalidade por Covid-19 em um hospital público na perfiferia e outro, privado, no centro.

– Aqui na cidade de São Paulo nós tratamos todo mundo que buscou a rede pública. Não houve necessidade de intervir em hospitais privados porque não tivemos as cenas que nós vimos repetidas no mundo inteiro do médico escolhendo quem era entubado e quem não era entubado – respondeu Covas.

Boulos, entretanto, ironizou a resposta de Covas:

– Quem escuta você falando nem parece que São Paulo foi a terceira cidade do mundo com mais mortes por Covid, só atrás de Nova York e da Cidade do México – disse.

Em queda nas pesquisas, o deputado federal Celso Russomanno teve dois embates fortes com o deputado estadual Arthur “Mamãe Falei”, do Patriota. O candidato do Republicanos respondeu com dureza quando foi questionado sobre por que pagava R$ 4 mil em contas telefônicas do seu gabinete.

– Para atender a população. Pode olhar para mim, olha para mim. Você não sabe o que é isso. Você era um bebê quando eu comecei a defender o consumidor. Para conversar comigo, você precisa ter presença na Assembleia Legislativa. Porque seu apelido lá é Mamãe Faltei. Você vem falar de mim? Gasto dinheiro sim, mas economizei R$ 1,7 milhão com verba de gabinete. Eu gasto meu dinheiro para atender as pessoas. Você tem que se enxergar antes de conversar comigo. Você não é nada, começou agora na política – respondeu Russomanno.

Na sua réplica, Arthur do Val ironizou o tom enfático de Russomanno.

– Olha, parece que o Celso Russomanno tomou um (energético) nos bastidores, uma bronca do marqueteiro. O pessoal não está vendo verdade nas suas palavras, tenta ser um pouco mais enfático e a gente viu esse teatro. Alguém acreditou que ele falou alguma verdade? Basta ver o número da minha presença, das minhas bandeiras que o senhor claramente não conhece – respondeu Arthur.

Já ao final do debate, Russomanno e Arthur do Val voltaram a se desentender, dessa vez em uma questão sobre a Cracolândia.

– Eu quero dar meus parabéns novamente para o Russomanno. Consegue ser o candidato mais caricato que o próprio Jilmar Tatto. Qual a proposta para a cracolândia? “Olha, com verdade”. Qual sua proposta contra a corrupção? “Acabar com a política do ódio”. Enfim, ele ficou um pouco ofendidinho na outra resposta que ele deu, talvez por ter lembrado que ele não tem OAB, então novamente Russomanno, já que você tocou na palavra verdade, qual proposta de verdade você tem na sua campanha? – afirmou Arthur.

Após afirmar que defende a participação das polícias militar, civil e da Guarda Civil Metropolitana no combate ao tráfico de drogas na Cracolândia, Russomanno respondeu os ataques de Arthur.

– Agora, em relação a eu ter ou não OAB, eu nem fiz a prova porque eu sou jornalista, eu tenho dois cursos. Você devia enfiar tua cabeça debaixo do rabo para entender o que que eu sou – afirmou.