Em programa de campanha, Bolsonaro dizia que Petrobras deveria seguir flutuação internacional de preços

Daniel Gullino
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BRASÍLIA — Em seu programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a política de preços da Petrobras deveria seguir os "mercados internacionais", com apenas uma "suavização" das flutuações de curto prazo. A política de preços da Petrobras virou uma incógnita após Bolsonaro decidir trocar o comando da estatal.

"Os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais, mas as flutuações de curto prazo deverão ser suavizadas com mecanismos de hedge apropriados", diz o programa.

Os mecanismos de "hedge", que são operações no mercado para oferecer proteção financeira à companhia, já eram adotados pela Petrobras para compensar defasagens ocasionais entre o preço do combustível aqui e sua paridade com a cotação internacional do petróleo e do real.

Bolsonaro tem repetido que a mudança na presidência da Petrobras — o general da reserva Joaquim Silva e Luna foi indicado para substituir o economista Roberto Castello Branco — não irá alterar a política de preços, mas ao mesmo tempo tem feito críticas a ela.

Na segunda-feira, por exemplo, o presidente reclamou da reação do mercado financeiro à troca no comando da Petrobras e afirmou que a política atual atenderia apenas aos interesses de "alguns grupos". Na mesma ocasião, Bolsonaro afirmou não "entender" os últimos reajustes nos preços dos combustíveis e que "tem coisa que tem que ser explicada".

Para o ex-secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do governo, Paulo Uebel, a intervenção de Bolsonaro significa um desrespeito ao programa de governo, batizado na época de "Caminho da Prosperidade".

— O presidente Bolsonaro foi eleito com um programa de governo chamado Caminho da Prosperidade, que foi elaborado por várias pessoas, entre elas, o ministro Paulo Guedes. O plano fala claramente que a Petrobras vai observar a movimentação internacional do preço do petróleo, porque é uma empresa que vai reagir aos inputs de mercado — disse Paulo Uebel em entrevista ao GLOBO.

O ex-secretário afirmou também que a saída de Castello Branco "contraria o voto que a população deu no presidente".

As ações da Petrobras registraram um tombo de mais de 20% na segunda-feira, primeiro dia de funcionamento do mercado financeiro após o anúncio da troca, na noite de sexta-feira.