Em protesto, preso político corta a própria garganta durante julgamento na Belarus

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BRUXELAS, BÉGLICA (FOLHAPRESS) - O preso político belarusso Stepan Latipov golpeou a própria garganta com uma caneta durante seu julgamento nesta terça (1º) em Minsk, após gritar que a polícia ameaçara perseguir sua família e seus vizinhos se ele não se declarasse culpado. Vídeos do incidente e áudios de seu protesto foram postados em vários canais de informação belarussos.

Segundo relatos, Latipov retirou a caneta do meio de uma pilha de papeis durante um intervalo do julgamento. Ele sangrou durante minutos até que os policiais conseguissem abrir a cela em que réus são colocados durante os julgamentos na Belarus. Levado a um hospital, estava em cirurgia na tarde desta terça. Não houve comunicados oficiais sobre o incidente.

Dono de uma empresa especializada em tratar árvores, ele é um dos 443 presos políticos mapeados por um consórcio de entidades de direitos civis na Belarus. Ele foi detido em 15 de setembro de 2020, quando tentava repintar um mural que mostrava os "DJs da mudança" --também presos pelo regime depois de tocarem a canção russa "Mudanças", que se tornou um dos hinos dos antiditadura.

Um mês depois, o regime disse que ele "planejava pulverizar pesticidas do alto de edifícios sobre as tropas de choque (Omon)". Mas, na acusação apresentada no mês passado, as substâncias tóxicas não são mais mencionadas --o arborista estava sendo julgado por "organizar ações grupais que violam gravemente a ordem pública e estão associadas à clara desobediência aos requisitos legais das autoridades", resistir à autoridade e cometer fraude em grande escala. Latipov se declarou inocente.

Segundo sua família, ele estava desde 11 de junho em uma solitária e a polícia o havia ameaçado de piorar suas condições carcerárias se não confessasse. Em entrevista ao site Tut.by no início de maio, o pai de Latipov disse que os prisioneiros políticos estão sob grande pressão psicológica e que seu filho havia contraído Covid na prisão.

"Durante um ano inteiro na Bielo-Rússia, não houve um único dia em que o regime não destruiu o destino de uma pessoa inocente", protestou em rede social Svetlana Tikhanovskaia, líder oposicionista exilada na Lituânia. Segundo ela, houve forte reação internacional à prisão na semana passada do blogueiro Roman Protassevich, "mas, ao mesmo tempo, centenas e milhares de pessoas foram e continuam a ser torturadas nas prisões da Bielorrússia".

Protassevich foi preso no dia 23 de maio, quando o avião em que viajava foi desviado de sua rota para o aeroporto de Minsk. O regime o acusa de terrorismo e diz que ele é financiado por países ocidentais para desestabilizar o governo. aconteceu na fase de maiores protestos contra o ditador Aleksandr Lukachenko, após a eleição presidencial de agosto de 2020, considerada fraudada.

Poucos dias antes da prisão, outro preso político, Vitold Ashurk, morreu em uma colônia penal. Segundo o regime, ele teve um infarto, mas sua família afirma que ele não tinha problemas cardíacos.

Também nesta terça, a Belarus barrou a saída do país de belarussos que não tenham residência permanente em um país estrangeiro. A ditadura atribuiu a medida à necessidade de controlar a pandemia de coronavírus.

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