Em publicação nas redes sociais, Gilberto Gil conta que foi chamado de "negro boçal" por um professor, e comentários apontam que prática é frequente

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RIO — No mês da Consciência Negra, relatos de racismo vivenciados nas escolas denunciam ações preconceituosas que ainda hoje acontecem no ambiente de ensino. Em um post de Gilberto Gil nas redes socias, neste domingo, internautas se solidariezaram com o cantor após ele relatar que os próprios professores do Colégio Marista, em Ituaçu, na Bahia, local onde estudou na adolescência, o discriminavam e chamavam de “negro boçal". Nos comentários, dezenas de pessoas afirmaram que já haviam passado por situação semelhante.

— Só fui sentir o racismo no Colégio Marista. Era uma discriminação disfarçada, mas com manifestações agudas. Lembro que uma vez, quando pedi uma explicação, um professor simplesmente disse: "cale a boca, seu negro boçal". E eu calei. Era uma época muito difícil — escreveu Gil, que já havia feito a mesma declaração em 2019, no Twitter, sobre esse caso de preconceito que o marcou.

No programa Conversa com Bial da Globo, veiculado no ano passado, o artista relembrou sua infância na cidade de Ituaçu, interior da Bahia, e afirmou que, por ser filho de médico e professora, não se sentia vítima de racismo. A realidade mudou ao entrar para o ginásio, por estudar em escola da elite, com “apenas 10 negros”.

Nesta semana, um outro episódio racista em escola repercutiu na internet. O áudio de uma professora da Apae Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, viralizou após ela pedir para que os alunos colassem bombril em um desenho que representava uma pessoa negra de cabelos cacheados. Segundo relato de pais de alunos, a pedagoga disse ter passado a tarefa para celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra.

— Vocês vão fazer o seguinte: colocar em cima do cabelo, fazendo um enfeite com bombril — disse a professora no áudio.

Em outro caso de discriminação, um Colégio Adventista de Tocantins divulgou imagens de crianças brancas pintadas com tinta preta e usando uma peruca simulando o cabelo black power, afirmando que se tratava de uma caracterização. A prática conhecida como 'blackface' é caracterizada como racismo recreativo, que segundo Adilson Moreira, professor e doutor em direito antidiscriminatório, consiste em ridicularizar e estereotipar pessoas negras.

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