Em quarentena, cantor cria ‘Funk do coronavírus’ para orientar comunidades: 'A ficha não caiu'

Carol Marques
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MC Tchelinho criou o “Funk do coronavírus”

A quarentena por conta da pandemia do coronavírus acabou rendendo um funk orientação para o MC Tchelinho. Morador da Cruzada São Sebastião, comunidade do Leblon, na Zona Sul do Rio, o cantor compôs um batidão que promete virar hit neste momento de muitas informações chegando todas ao mesmo tempo: o “Funk do coronavírus’.

“A Ana, do coletivo B.A.S.E, me pediu um funk sobre a doença, para que pudesse conscientizar, na linguagem que as favelas entendem, mais pessoas. Em 16 minutos ficou pronto. Foi só ficar de olho em todas as informações que a TV está dando”, conta Tchelinho, que faz parte do grupo HeavyBaile.

 

Escrito e divulgado na última quarta-feira, 18, a música viralizou nos grupos de whatsapp e ganhou as redes sociais após o ator Jonathan Azevedo aparecer num vídeo mostrando a composição do amigo de infância, que fala da importância de ficar em casa, lavar as mãos e usar álcool gel. “Foi surpreendente. Começou geral a compartilhar e decidimos fazer um clipe básico para colocar no Youtube”, explica Tchelinho, de 33 anos.

Ele diz que na Cruzada a movimentação está menor, mas as pessoas ainda não obedecem a quarentena. “As crianças, sem aula, estão brincando na rua. Muitos trabalhadores também não foram dispensados para ficar em casa. A ficha ainda não caiu totalmente. Parece que só quando um caso ocorrer na comunidade é que as pessoas vão se tocar”, prevê ele, que se preocupa em disseminar informação: “Até eu mesmo não entendo quando falam que muitas pessoas podem não apresentar sintomas e ter o Covid-19. Mas como sabemos? Difícil, né? Pelo menos minha parte fiz para que mais gente preste atenção e tome medidas simples para se prevenir. Não quero fama, nada disso, é para ajudar mesmo”.

Tchelinho está em casa com a namorada desde o início da semana: “Não é fácil mudar a rotina assim. Neste fim de semana é que vamos ver se o comportamento da galera vai mudar mesmo, se os bares vão ficar vazios. Eu estou preparando um disco, então, tempo para fazer música é que não vai faltar”.