Em queda nas pesquisas, Russomanno falta em debate marcado por embate entre Boulos e França

Dimitrius Dantas
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SÃO PAULO — Alegando problemas em sua agenda, o candidato do Republicanos à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, faltou ao debate realizado nesta sexta-feira pela revista "Veja" e pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Mesmo ausente, Russomanno, que apresenta forte queda nas pesquisas, foi criticado pelos seus adversários, sobretudo Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB), que disputam com ele a vaga no segundo turno contra o prefeito Bruno Covas, de acordo com as pesquisas de intenção de voto.

Sem Russomanno, o destaque do debate foram dois embates protagonizados exatamente por Boulos e França. Em dois momentos, os dois se atacaram e se acusaram mutuamente de divulgarem notícias falsas.

Boulos e França tem crescido nas pesquisas e se aproximaram de Celso Russomanno, que ainda está numericamente à frente. Na pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo Datafolha, o deputado federal tem 16% das intenções de voto, seguido por Boulos com 14% e França, que tem 13%. Os três estão tecnicamente empatados.

No debate, Boulos inicialmente atacou França por, segundo ele, ter despejado famílias quando ocupou o cargo de governador.

- Márcio, você agora tem dito que defende a moradia, quer resolver a situação da população de rua e tudo mais. Agora, quando o Alckmin deixou o governo para você, você despejou centenas de famílias, teve três despejos no seu governo, e não por ordem judicial, mas por iniciativa do próprio estado. Um em Itaquá, um no Grajaú e outro no Tatuapé. Você jogou famílias na rua, essa é sua proposta para moradia se for eleito prefeito? - perguntou Boulos.

- Não, Boulos, isso é o que diferencia o jeito que eu entendo e o que você entende. Certamente, não fui eu que despejei, deve ter sido a Justiça. Você tem que respeitar a Justiça, se tiver uma decisão judicial, claro que o governo tem que cumprir. Se não cumprir, está fazendo errado. Quando você incentiva as pessoas a não cumprirem a Justiça, você não acaba incentivando as pessoas a não fazerem o bem. É uma diferença clara do seu posicionamento em relação ao nosso -- respondeu França.

Na réplica, Boulos alegou que o despejo não ocorreu por determinação da Justiça e sim após pedido do governo e foi interrompido por França.

- Parece que o Márcio está um pouco exaltado, invadindo o meu tempo -- brincou Boulos.

-- Você viu, Boulos, como a Justiça é importante? Se não tiver justiça, cada um faz como quer, não é correto e você tinha razão, eu ocupei seu tempo, se quiser tem mais 10 segundos para você falar do meu (tempo) -- respondeu França.

Mais à frente no debate, os dois voltaram a discutir, dessa vez sobre privatização. Boulos questionou França sobre seu posicionamento sobre a privatizações, lembrando que, quando governador, França privatizou a Cesp, empresa de energia elétrica de São Paulo.

-- Para você privatizar, tem que ter credibilidade. Não dá para fazer num momento tão ruim como agora, ninguém tem dinheiro. Tudo que quiser fazer concessão vai ser evidentemente com um valor muito mais baixo. E para ter credibilidade é preciso ter experiência. Eu me recordo que vi no teu currículo uma história que estava dando aula numa escola que não estava, um negócio meio torto. Pensei assim: será que o Bolsonaro leva ele para ser ministro? Se quiser um dia ser prefeito, tem que se preparar para isso -- respondeu França.

-- Essa questão da escola está muito bem repsondida. Sou professor, dou aula, tenho vínculos. Sobre experiência, Márcio, a sua experiência é ser sócio da máfia da merenda com o Alckmin, sócio da máfia do Metrô, do Rodoanel. Você era vice-governador esse tempo todo. Essa experiência eu quero longe de mim -- respondeu Boulos.

Na sua tréplica, França negou as acusações e disse que não tem qualquer processo criminal.

A ausência de Russomanno não o impediu de ser alvo de ataques de outros candidatos. Na parte final do debate, França e Joice Hasselmann (PSL) fizeram uma "tabela" em que atacaram o candidato do Republicanos.

França questionou a candidata do PSL exatamente sobre a ausência de Joice, destacando a "ausência enorme" de Russomanno.

-- É ruim, é muito ruim. Mas como viria o Celso Russomanno? Como ele vai explicar que é o Itacaré na lista da Odebrecht? Como vai explicar que ele deu calote em garçom? Como que ele vai explicar que apoiou Dilma e o PT e agora está apoiado no presidente Bolsonaro? -- respondeu Joice, que completou: -- O Russomanno não vem porque ele não tem o que falar, não tem o que enfrentar. Está, como sempre, aquele cavalo paraguaio, derretendo mesmo sem debate.

-- Eu vou fazer o pedido pro Celso: não deixe de vir aos debates, Celso. É muito importante que as pessoas te conheçam, que você possa falar para as pessoas como você pensa. Se você não vem, não fica bom para ambas as partes, como você fala no programa -- disse França.