Em queda nas pesquisas, Russomanno se diz perseguido por ter apoio de Bolsonaro

Gustavo Schmitt
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Agência O Globo
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SÃO PAULO. O deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) se exaltou ao tratar sobre a queda da sua candidatura nas pesquisas de intenção de voto à prefeitura de São Paulo e acusou a imprensa de o perseguir por ser aliado do presidente Jair Bolsonaro.

O candidato subiu o tom de voz ao responder sobre se havia eventual relação entre sua desidratação e a estratégia de colar a imagem em Bolsonaro, cuja rejeição é alta na capital.

– Vocês perseguem o presidente Bolsonaro. Isso não se faz. Vocês estão me perseguindo porque eu sou alinhado a ele. É muito triste. Isso não é democracia – disse Russomanno.

Russomanno ficou ainda mais contrariado ao ser indagado sobre se as gafes do presidente não contribuiriam para derreter a sua candidatura. Na terça-feira, ao se referir à pandemia, Bolsonaro disse que o Brasil precisa deixar de ser "um país de maricas" e enfrentar o vírus da Covid-19.

O candidato saiu em defesa do seu padrinho:

– Vocês só querem falar do presidente Bolsonaro, dos problemas, das falas dele. Não querem falar do bem, do que está fazendo pela cidade. Não tem nada de bom para o presidente – disse Russomanno.

Segundo o instituto de pesquisas Datafolha, a gestão de Bolsonaro sofre rejeição de 50% dos paulistanos. O percentual, ainda de acordo com o instituto, é quase o mesmo da taxa de rejeição de Russomanno nesta eleição : 49%.

Candidato quer atrair bolsonaristas

Nas últimas semanas, Russomanno passou a radicalizar seus discursos na tentativa de atrair apoiadores de Bolsonaro para sua campanha.

O candidato chegou a dizer que moradores de rua tem mais imunidade contra a Covid-19 porque não tomam banho e passou a atacar a vacina Coronavac - o imunizante se tornou motivo de disputa entre o governador João Doria, do PSDB, e Bolsonaro, com vistas às eleições de 2022.

A guinada retórica atraiu bolsonaristas investigados por fake news como o deputado estadual Douglas Garcia, o empresário Otávio Fakhoury e youtubers como Fernando Lisboa, Allan dos Santos e Bernardo Küster. Este último é diretor de um site de notícias do ideólogo de direita Olavo de Carvalho.

O último a aderir a candidatura de Russomanno foi Felipe Sabará, ex-candidato a prefeito expulso pelo Novo. Sabará tinha cerca de 1% das intenções de votos nas pesquisas à prefeitura de São Paulo e diz ser "direita raiz". Sabará é fundador de uma associação que insere moradores de rua no mercado de trabalho. Questionado sobre a fala de Russomanno sobre a imunidade dos moradores de rua, Sabará disse que a declaração foi feita antes de sua chegada à campanha. Ele participou da gestão de Doria, mas disse em entrevistas que não tem dívida com o tucano.