Em rara entrevista, Rita Lee fala sobre desejo aos 73 aos: 'Tenho mais prazer na alma'

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Na primeira entrevista desde que recebeu, em maio, o diagnóstico de câncer de pulmão, Rita Lee esbanja energia e bom humor, mesmo sob tratamento quimioterápico. Na última sexta-feira, inaugurou megaexposição sobre os seus 50 anos de carreira no Museu da Imagem e do Som de São Paulo; amanhã, soltará nas plataformas digitais música inédita “Change”; e, em dois meses, lançará novo infantil pela GloboLivros, abordando a morte de um jeito lúdico. A seguir, a cantora discorre sobre conversas e prazeres que anda tendo com estrelas e “seres de luz”.

Tesão na alma

“Tudo muda o tempo todo. Aos 73 anos, por exemplo, tenho meus cabelos brancos. Já fui loira, já fui ruiva — que era um sol na cabeça — e agora tenho a lua comigo. Sinto também um vetor da vida que transforma o desejo. Já transei para caramba e, agora, tenho mais ‘tesão na alma’. Um prazer que é despertado por um bom livro, meditação, quando tento me comunicar telepaticamente com irmãos das estrelas, com meus rituais espirituais... Então, mude! Já que não tem jeito mesmo, abrace a mudança. Com essa música, gostaria de dar um upgrade no lado legal, quero viver no arco-íris, na coisa bacana, na pureza, na coragem, na liberdade... apesar desse momento tão escuro que o Brasil enfrenta.”

LEIA ENTREVISTA COMPLETA: Rita Lee fala sobre relação com os fãs ("Eu me sinto uma padroeira das ovelhas negras"), situação política do Brasil ("Era para a gente estar nos Jetsons e estamos voltando para os Flintstones") e livro infantil sobre morte que está escrevendo ("Vou dar um toque de forma leve sobre o assunto”). Leia aqui.

Seres de luz

“Fiz um pacto com o universo, com o Criador, com os ‘seres de luz’, de que ia segurar a barra de ter um câncer no pulmão. Fiz a radioterapia e agora faço quimioterapia. Os exames estão ótimos. Mas fácil não é. Vi minha mãe passar por isso: quimio, radio... e, há 45 anos, a medicina era muito diferente. Tinha trauma do jeito que ela ficou. Então, quando o médico falou que precisava fazer o tratamento, a primeira coisa que pensei foi: ‘Eu sabia!’. Sabe por quê? Por causa dos sinais que recebi. Sabia que iria acontecer algo. Quantas vezes não disse que teria de pagar algum pedágio da vida? Era um sopro atrás do outro: ‘Pare de fumar. Você fuma desde os 22 anos, pare agora’. Era como uma luz que acendia no fundo da mente. Fora as coisas que me eram esfregadas na cara. Ia ler jornal, e estava lá uma personalidade dizendo que havia parado de fumar. Estava na estrada, parava atrás de um caminhão e estava escrito: ‘Pare de fumar’. Com a pandemia, aquele baixo-astral no mundo, não tem como não ser afetado: passei a fumar o triplo de antes. Tenho essa coisa de católico, de culpa, e continuei a me desrespeitar. E quando o médico falou: ‘Você está com câncer no pulmão’, fechei os olhos e pensei: ‘Danadinhos, sarcásticos’. Os ‘seres de luz’ têm humor! Olha que humor muito louco. Era como se pudesse ouvi-los me falando: ‘Cara, a gente te avisou. Agora, vai parar de fumar na marra’. Eu, no fim, até agradeci. Não é fácil, mas consegui parar de fumar, finalmente.”

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