Em resposta a Bolsonaro, TSE diz que programa de urna eletrônica não roda se for adulterado

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Um eleitor vota em cabine da urna eletrônica da Justiça Eleitoral, em uma escola de São Paulo
Presidente Jair Bolsonaro tem aumentado os ataques às urnas eletrônicas com a queda nas pesquisas eleitorais para 2022 (Photo by Miguel Schincariol/Getty Images)
  • TSE divulgou nota em que diz que programa de urna eletrônica não roda se for adulterado

  • Presidente Jair Bolsonaro afirmou, em entrevista, que inquérito sigiloso da PF revela acesso de hackers às urnas eletrônicas

  • Na verdade, o acesso dos criminosos foi ao sistema do TSE e não representou risco à integridade das eleições

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma nota para rebater as declarações do presidente Jair Bolsonaro, na quarta-feira (4), de que um inquérito sigiloso da Polícia Federal revela acesso de hackers a programação de urnas eletrônicas, em 2018. A Corte destacou que o caso foi amplamente divulgado à época e não representou qualquer risco à integridade daquelas eleições.

“O código-fonte dos programas utilizados passa por sucessivas verificações e testes, aptos a identificar qualquer alteração ou manipulação. Nada de anormal ocorreu”, diz a nota.

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“Cabe acrescentar que o código-fonte é acessível, a todo o tempo, aos partidos políticos, à OAB, à Polícia Federal e a outras entidades que participam do processo. Uma vez assinado digitalmente e lacrado, não existe a possibilidade de adulteração. O programa simplesmente não roda se vier a ser modificado”.

Em novos ataques ao presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, Bolsonaro afirmou, durante entrevista à Rádio Jovem Pan, que uma pessoa teria acessado o código de programação das urnas eletrônicas, em 2018, assim como senhas de um ministro e de servidor do tribunal. O agente teria oferecido o material ao blog TecMundo.

No entanto, o inquérito da PF citado pelo presidente investiga tentativa de acesso ao sistema do TSE, e não invasão em urna eletrônica.

“As urnas eletrônicas jamais entram em rede”, assinalou a nota do tribunal. “Por não serem conectadas à internet, não são passíveis de acesso remoto, o que impede qualquer tipo de interferência externa no processo de votação e de apuração. Por essa razão, é possível afirmar, com margem de certeza, que a invasão investigada não teve qualquer impacto sobre o resultado das eleições”.

A nota informa também que o TSE encaminhou à Polícia Federal os dados necessários para a apuração dos fatos.

“A investigação corre de forma sigilosa e nunca se comunicou ao TSE qualquer elemento indicativo de fraude. De 2018 para cá, o cenário mundial de cybersegurança se alterou, sendo que novos cuidados e camadas de proteção foram introduzidos para aumentar a segurança dos demais sistemas informatizados”.

Numa nova escalada na crise institucional aberta com o Judiciário, o presidente Jair Bolsonaro reagiu nesta quarta-feira (4) à sua inclusão como investigado no inquérito das fake news e disse, em tom de ameaça, que o "antídoto" para a ação não está "dentro das quatro linhas da Constituição".

"Ainda mais um inquérito que nasce sem qualquer embasamento jurídico, não pode começar por ele [pelo Supremo Tribunal Federal]. Ele abre, apura e pune? Sem comentário. Está dentro das quatro linhas da Constituição? Não está, então o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição", disse Bolsonaro, em entrevista à rádio Jovem Pan.

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