Em reunião com ministro, secretários de saúde cobram equipamentos; associação aponta 6 mil profissionais infectados

Isabella Macedo

BRASÍLIA - Os representantes do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems) afirmaram nesta quarta-feira que estados e municípios estão com dificuldades para comprar e receber Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para o combate ao coronavírus. Os secretários participam hoje da primeira reunião com Nelson Teich, 12 dias após a posse dele como novo ministro da Saúde. Com a falta dos equipamentos de proteção, cerca de 6 mil profissionais de saúde já foram infectados pelo país.

Jurandi Frutuoso, secretário-executivo do Conass, participou durante a manhã da audiência com a Comissão Externa da Câmara que acompanha as ações para combater o novo coronavírus no país. Segundo ele, os cerca de 920 mil trabalhadores da área da saúde precisam de diversos equipamentos que os estados e municípios têm tido dificuldade para comprar, e o Ministério da Saúde não tem enviado o suficiente para abastecer a necessidade. Pelos próximo três meses, por exemplo, serão necessários 452 mil protetores faciais em acrílico, por exemplo, mas a pasta ainda não enviou nenhuma unidade para estados e municípios.

De acordo com Frutuoso, apenas após a reunião com Teich será possível saber qual será a programação para aquisição e distribuição dos equipamentos. O secretário-executivo do Conasems, Willames Bezerra, também destacou a dificuldade de acesso aos equipamentos.

- Esse é um problema também. Nós não conseguimos comprar porque não estamos tendo acesso a compra de EPIs, e onde tem acesso, o preço é exagerado. A máscara comum custa R$ 3, a máscara N95 estão chegando a vender acima de R$ 10. Então, é muito complicado a gente ter acesso a isso - afirmou Willames.

De acordo com dados da Associação Médica Brasileira (AMB), também apresentados nesta quarta à comissão, pelo menos 6 mil profissionais da saúde já foram contaminados no Brasil por causa da falta de equipamentos de proteção. O vice-presidente da entidade, Diogo Sampaio, disse ser preocupante o número de afastamento pela covid-19 entre esses trabalhadores. Em São Paulo, pelo menos 3200 profissionais já foram afastados. No Amazonas, estado que está com o sistema praticamente em colapso, 400 pessoas já foram afastadas de suas funções por infecção pela doença.

- A falta de EPIs não só ocasiona a doença nos profissionais de saúde, como também pode gerar um colapso do sistema. O profissional de saúde passa a ser um vetor de transmissão - alertou Sampaio.

Os remanejamentos na área da saúde para irrigar os caixas estaduais e municipais já somam R$ 5 bilhões, mas de acordo com os secretários, os recursos têm sido usados para reorganizar e expandir o sistema de saúde com Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e construção de hospitais de campanha. Por isso, há a expectativa para que o Ministério da Saúde centralize as compras dos equipamentos de proteção. Willames também afirmou que apesar de o ministério ter distribuído alguns equipamentos, o fluxo ainda não está à altura do esperado. Presidente da comissão externa, o deputado Luiz Antonio Jr. (PP-RJ), também cobrou mais rapidez na distribuição.

- O vírus está sendo muito mais rápido que nós - afirmou durante a reunião.

Além da proteção facial em acrílico, os profissionais também precisarão de máscaras, luvas, aventais, tocas e óculos de proteção para realizar suas atividades diariamente. Sem a compra desses itens, profissionais da saúde têm improvisado e racionado os equipamentos de proteção. Walkírio Almeida, chefe do Departamento de Gestão do Exercício Profissional do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), afirmou que as improvisações incluem até mesmo capas de chuva como aventais.