Em reunião com TST, diretores da Ford dizem que decisão de sair do país foi tomada depois de busca por alternativas

Gabriel Shinohara
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BRASÍLIA — Diretores da Ford se reuniram nesta terça-feira com a presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maria Cristina Peduzzi, para conversar sobre a decisão de encerrar as operações brasileiras. A empresa vai fechar as fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da Troller (Horizonte-CE).

De acordo com uma nota divulgada pelo Tribunal, o diretor jurídico da montadora, Luís Cláudio Casanova, explicou que a empresa buscou por alternativas antes de tomar a decisão de interromper a produção de veículos no país. No entanto, segundo ele, os prejuízos que já eram registrados foram aumentados pelo impacto da pandemia.

Na questão trabalhista, Casanova disse que a empresa sempre manteve uma postura de apoio aos parceiros, já que algumas operações vão continuar sendo realizadas no país, além da fábrica da Troller no Ceará, que deve continuar operando até o quarto trimestre de 2021.

Durante a reunião, a ministra Peduzzi lamentou a perda de empregos com o fechamento das fábricas e disse que a Justiça do Trabalho está disposta a viabilizar a solução de possíveis conflitos de forma consensual.

A decisão da Ford já repercutiu entre os principais afetados. Nesta manhã, trabalhadores da fábrica de Taubaté fizeram uma vigília em frente à fábrica para tentar reverter as demissões. O Sindicato dos Metalúrgicos, que convocou a assembleia, deve se reunir com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para pedir pressão sobre a multinacional.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a lamentar os empregos perdidos nesta manhã e afirmou que a montadora estava atrás de subsídios. Segundo o colunista Lauro Jardim, do Globo, a empresa recebeu R$ 20 bihões de incentivos fiscais do governo brasileiro desde 1999.