Em reunião de Conselho do MPF, Aras acusa colegas de plantar "fake news" contra família

Por Ricardo Brito
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Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - Cobrado por colegas em reunião do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) por críticas à força-tarefa da operação Lava Jato, o procurador-geral da República, Augusto Aras, decidiu partir para o ataque e acusou subprocuradores de lhe fazerem "oposição sistemática" ao plantar "fake news" sobre ele e seus familiares à imprensa.

A tensa reunião do Conselho Superior --principal órgão administrativo da instituição-- nesta sexta-feira teve como pano de fundo as críticas que Aras fez ao longo da semana à atuação da força-tarefa da Lava Jato. Ele havia dito que o grupo manteria informações que não constam dos sistemas do MPF e que é uma "caixa de segredos".

Durante o encontro, as declarações mais contundentes contra Aras foram feitas pelo subprocurador-geral da República Nicolao Dino. Lendo uma carta subscrita por outros três colegas do conselho, Dino disse que as críticas do procurador-geral sobre "correção de rumos" do MPF não constrói e acaba por gerar perplexidade por ter "graves afirmações".

"Um Ministério Público desacreditado, instável e enfraquecido apenas atende aos interesses daqueles que se posicionam à margem da lei", disse Dino, ao instar Aras a liderar a categoria.

Dino foi o segundo mais votado na eleição interna para a escolha do PGR ano passado, e fazia parte da lista tríplice elaborada pela associação da categoria que o presidente Jair Bolsonaro ignorou ao escolher Aras. Antes do atual procurador-geral, a lista vinha sendo seguida pelos presidentes por 16 anos.

Outros procuradores se dividiram entre endossar as palavras de Dino, colocar panos quentes no debate ou sair em defesa do procurador-geral, que só se manifestou ao fim das falas, ao final de uma reunião de quatro horas em que o assunto era o orçamento do MPF para o ano de 2021.

Em sua resposta, Aras acusou Dino de ser "porta-voz" de alguns que fazem oposição sistemática à sua gestão. Acusou colegas de plantar "fake news" envolvendo sua família para a imprensa e classificou isso de muito covarde. "Não vou atingir a família dos senhores, não", avisou.

O procurador-geral disse que tem "provas" para sustentar as críticas que fez à força-tarefa da Lava Jato e que isso está sob apuração da Corregedoria do MPF e do Conselho Nacional do Ministério Público.

"Doutor Nicolao, rejeito seus conselhos e espero que os órgãos oficiais respondam à Vossa Excelência", concluiu Aras, ao encerrar a reunião e não deixar os colegas replicarem-no.

O principal pano de fundo do debate está a renovação da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba que precisará do aval de Aras para ser renovada por mais um ano em setembro.

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