Em reunião há um mês, presidente do Banco do Brasil disse que mortes por coronavírus já tinham chegado ao topo: 'Esse pico já passou, né?'

Marco Grillo

BRASÍLIA – O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou na reunião ministerial de abril, cujo conteúdo foi liberado nesta sexta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o pico de mortes por coronavírus já havia passado. Na ocasião, o país registrava em torno de duzentos óbitos a cada 24 horas. Um mês depois, as mortes por dia já alcançaram a faixa de mil.

Já no dia seguinte à declaração, 403 pacientes morreram em decorrência da Covid-19, e de lá para cá a curva seguiu trajetória ascendente. Depois da afirmação, Novaes foi alertado pelo ministro da Casa Civil, Braga Netto, que as projeções feitas pelo governo à época indicavam que o pico ainda não havia chegado.

“Agora, eu … se me permitem, eu queria fazer uma observação rápida sobre a área de medicina. Eu, eu acompanho os números diariamente. Eu vejo que os óbitos, , eles chegaram a ... a diários, passaram de duzentos durante alguns dias. Quatro, cinco dias. Mais .. . mais de ... de duzentas pessoas sendo mortas. De uns quatro, cinco dias pra cá, esses óbitos caíram bastante. Já não chegam mais na casa de duzentos. A minha sensação, de quem não é especialista no negócio, mas que observa os números, é que o tal do pico, o tal do famoso pico, que gerava tantas preocupações, a minha sensação é que esse pico já passou, né?”, argumentou Novaes, que é economista.

Braga Netto indicou que a avaliação não procedia e, em seguida, encerrou a reunião:

“É que o senhor (Novaes) não viu o número que nós mostramos lá em cima (andar superior do Palácio do Planalto), agora, mas isso é outra história. Senhores, sem querer cortar, muito obrigado a todos porque senão não termina”, disse o ministro.