Em reunião ministerial, Guedes defendeu liberação dos jogos de azar para incrementar turismo no Brasil

Marco Grillo
O ministro da Economia, Paulo Guedes, durante entrevista no Palácio do Planalto

BRASÍLIA – O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a liberação dos jogos de azar no país durante a reunião ministerial do dia 22 de abril, que teve o conteúdo liberado nesta sexta-feira por determinação do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A manifestação teve, inclusive, o apoio da ministra da Família, Mulher e Direitos Humanos, Damares Alves. Ela fez uma ressalva de que a iniciativa poderia prosperar se houvesse garantias de que os cassinos não seria usados para lavar dinheiro.

A liberação do jogo encontra resistências na bancada evangélica do Congresso – a ministra também é evangélica. Durante o encontro com os outros ministros, Guedes defendeu que o jogo seja liberado como forma de incrementar o turismo no país e citou mecanismos para que brasileiros de baixa renda – o ministro se referiu a eles como “brasileirinhos desprotegidos” – não possam participar e, consequentemente, não percam dinheiro nos cassinos.

“A mesma coisa o nosso ... o problema do jogo lá na ... lá na ... nos recursos integrados. Tem problema nenhum. São bilionários, são milionários. Executivo do mundo inteiro. O cara vem, é... fazem convenções ... olha, a ... o ... o turismo saiu de cinco milhões em Cingapura pra trinta milhões por ano. O Brasil recebe seis. Uma pequena cidade recebe es ... trinta milhões de turistas. O sonho do presidente de transformar o Rio de Janeiro em Cancún lá, Angra dos Reis em Cancún . Aquilo ali pode virar Cancún rápido. Entendeu? A mesma coisa aí Espanha. Espanha recebe trinta, quarenta milhões de turistas. Isso aí é uma cidade da Ásia. Macau recebe vinte e seis milhões hoje na ... na China. Só por causa desse negócio. É um centro de negócios. É só maior de idade. O cara entra, deixa grana lá que ele ganhou anteontem, - ele deixa aquilo lá, bebe, sai feliz da vida. Aquilo ali num atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um ... Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô! Não tem ... lá não entra nenhum, lá não entra nenhum brasileirinho. Não entra nenhum brasileirinho desprotegido. Entendeu?”

A ministra concordou com Guedes, com a ressalva de que a Controladoria-Geral da União (CGU) deveria criar mecanismos para coibir a lavagem de dinheiro associada ao jogo.

“Se a CGU concordar. Se a CGU tiver como controlar a entrada e a saída do dinheiro. Se não tiver como lavar dinheiro sujo lá”, respondeu Damares.