Em reunião ministerial, Moro falou apenas em duas ocasiões

Natália Portinari
Bolsonaro em encontro em 22 de abril, com seu agora ex-ministro de autor de acusações Sergio Moro

BRASÍLIA - Na reunião em que diz ter sido pressionado pelas falas do presidente a mudar a direção da Polícia Federal, o então ministro da Justiça Sergio Moro praticamente não falou. Nos trechos divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Moro toma a palavra em só duas ocasiões.

No momento em que Bolsonaro reclamou da Polícia Federal, Moro não se pronunciou. Quando Bolsonaro disse que queria "todo mundo armado", cobrando o então ministro da Justiça, ele também não respondeu.

Na sua primeira fala, Moro elogia o plano Pró-Brasil, apresentado pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto. O plano prevê iniciativas para alavancar o desenvolvimento do país após a pandemia e gerou discórdia com a equipe econômica. O ex-juiz sugeriu que fossem acrescentados ao plano os temas da segurança pública e combate à corrupção.

— Só faria uma sugestão aqui, ministro, se pudesse colocar desde logo em algum momento desse plano, alguma referência importante também a segurança pública e ao controle da corrupção. Foram dois temas centrais, né? Nas últimas eleições.

Braga Netto respondeu que "politicamente cabe aí" e que iria acrescentar uma referência ao tema no plano.

— Tem que apontar também que foi uma vitória do governo, do presidente, ano passado houve uma queda expressiva desses principais indicadores criminais — prosseguiu Moro. — Isso embora seja mais vinculado com a questão da vida e segurança das pessoas, também é um fator importante aí pro investimento econômico, pra atrair, melhorar o ambiente econômico. E o controle da corrupção também é pressuposto, né? Então faria aí exclusivamente essa sugestão específica.

— Muito obrigado. Já tá anotado — responde Braga Netto.

A segunda intervenção de Moro é quando é parabenizado por Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, pelo reforço da Polícia Federal na segurança das agências da Caixa durante a pandemia.

— É só o registro aí, esse até foi fácil de resolver. Foi a Polícia Federal que resolveu.