Em reunião na Fiesp, governador de Buenos Aires e embaixador comemoram superávit argentino em balança comercial com Brasil

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SÃO PAULO — O governador de Buenos Aires, o kirchnerista Axel Kicillof, e o embaixador argentino no Brasil, Daniel Scioli, comemoraram nesta quarta-feira, em reunião com representantes de 75 empresas de diversos setores produtivos, em São Paulo, o fato de que o Brasil voltou a ser o principal parceiro comercial da Argentina.

Ambos ainda exaltaram o recente aumento nas exportações do país vizinho ao Brasil, influenciado especialmente pela exportação de energia em meio à crise hídrica brasileira.

A visita de Kicillof ocorre em meio a uma campanha eleitoral para as eleições legislativas serão realizadas na Argentina em 14 de novembro e que, pelo que indicam as pesquisas, deverá impor derrota ao kirchnerismo em meio à baixa popularidade do presidente Alberto Fenández. Do lado brasileiro, o evento não teve a presença de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, entidade que sediou o encontro, nem do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

No acumulado de janeiro a outubro, os argentinos têm déficit de US$ 9,87 bilhões em sua balança comercial com o Brasil, mas no mês passado tiveram pelo segundo mês consecutivo superávit. Em outubro, o saldo positivo foi de US$ 92,4 milhões para os argentinos, que exportaram ao Brasil US$ 1,218 bilhão.

Kicillof segue orientação nacional-desenvolvimentista e foi ministro da Economia durante 2013 e 2015, até o fim do segundo governo de Cristina Kirschner. Ele assumiu o governo da província de Buenos Aires no início de 2020.

O político tem buscado atrair investimentos para a região de Buenos Aires, que responde por 60% das exportações argentinas, mas que está em desindustrialização há anos.

Segundo ele, o resultado das eleições, mesmo se desfavoráveis a Fernández, não afetaria a política econômica do país. A projeção do governo é de crescimento de 4% para o PIB argentino em 2022. Neste ano, o Fundo Monetário Internacional prevê alta de 7,5% para o PIB da Argentina.

— Nossa força política (o kirchnerismo) nos três mandatos em que fomos governo perdeu as eleições intermediárias em dois. Independentemente disso, a política econômica argentina é decidida pelo Executivo, pelo presidente. Acreditamos que vamos sair com mais produção e mais trabalho — disse o governador de Buenos Aires.

O embaixador Daniel Scioli, político kirchnerista de longa data e candidato presidencial derrotado pelo ex-presidente Macri em 2015, tem buscado ativamente a interlocução com empresas no Brasil no que membros de seu entorno chamam seu estilo de ‘diplomacia executiva’.

Desde que assumiu o cargo, no segundo semestre de 2020, Scioli tem procurado, ao mesmo tempo, distensionar a relação do governo Fernández com a gestão Bolsonaro, e conseguir com isso retomar algum protagonismo político doméstico.

A visita dos argentinos tem mais sentido político doméstico do que efeito prático. Não participou do evento, por exemplo, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, apesar de o evento ter sido articulado com e sediado na entidade. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também foi convidado, mas não compareceu.

Participaram da reunião, de acordo com a embaixada argentina, empresas como a gigante de bebidas Ambev, as companhias aéreas Latam, Gol, e Aerolíneas Argentinas, as automotivas Volkswagen e Marcopolo, além de companhias como Itaú, Gerdau, Arcor, Cargill e Bunge.

Segundo Kicillof, a multinacional fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul e cuja operação regional é sediada no Brasil, deve ampliar sua fábrica de máquinas de lavar roupa na Argentina.

— Há projetos em curso para investimentos. Nos colocamos à disposição dos empresários para facilitar os investimentos. Oito empresas pediram reuniões em Buenos Aires para a próxima semana. São empresas que já trabalham nos dois países — afirmou o governador, sem dar mais detalhes.

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