Em revés para Trump, Alemanha dá primeiro passo para liberar Huawei no 5G

O Globo, com agências internacionais
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BERLIM — O governo alemão aprovou uma nova lei de segurança de redes, que abre o caminho para permitir o uso da tecnologia da Huawei no 5G do país, em troca de garantias por parte da empresa chinesa sobre a segurança de seus equipamentos.

O projeto de lei, aprovado pelo gabinete da chanceler Angela Merkel mas que ainda precisa de aval do Parlamento, representa uma pequena vitória para a Huawei e um revés para o governo do presidente Donald Trump, que vem pressionando seus aliados na Europa a barrar a tecnologia da gigante chinesa.

Os EUA afirmam que o equipamento da Huawei é semelhante a um ''cavalo de Tróia'' que, uma vez dentro da infraestrutura crítica no Ocidente, pode ser usado pela China para espionar e roubar informações confidenciais, representando uma ameaça econômica e de segurança para os EUA e seus aliados. A chinesa nega as acusações.

Os argumentos da Casa Branca inicialmente não conseguiram influenciar os governos europeus, que também enfrentaram o lobby das operadoras sem fio, que afirmavam que a Huawei costumava oferecer o equipamento de torre de celular mais avançado pelo menor preço.

O problema é que os sentimentos mudaram este ano. Não convencidos dos argumentos da Huawei de que é uma empresa livre da influência do governo chinês, os políticos europeus ficaram mais cautelosos com relação a Pequim após a repressão por parte do governo aos manifestos de Hong Kong e sua resposta à pandemia de coronavírus.

A União Europeia recomendou este ano que seus membros restringissem o equipamento de fornecedores 5G de alto risco, sem mencionar especificamente a Huawei. Países como Reino Unido, França, Finlância, Polônia, Suécia de Romênia, já se posicionaram a favor de banir a Huawei de suas redes 5G, embora a chinesa esteja contestando tais medidas em tribunais em toda a Europa.

Diante da dependência que a indústria alemã tem da China, Berlim vinha relujtando a se alinhar à posição do governo americano, tentando encontrar um meio termo que permitisse que a Huawei fizesse negócios na Alemanha, ao mesmo tempo com um monitoramento capaz de apaziguar os EUA.

Quando o governo publicou um esboço do projeto de lei, no começo deste mês, o ministro do Interior da Alemanha, Horst Seehofer, disse que o governo tentou criar uma base legal que resolvesse as preocupações com a segurança, e também mantivesse o mercado aberto a tecnologias competitivas, incluindo a da gigante chinesa.

Segundo a lei, os vendedores de equipamentos de rede terão de fornecer garantias de que seus equipamentos são seguros, tornando-os financeiramente responsáveis por qualquer violação. A legislação exigirá que vendedores e operadores forneçam às agências de segurança alemãs amplos meios legais e técnicos para monitorar a integridade da rede.