Em São Paulo, Lewis Hamilton diz torcer para que corrida de domingo ajude a unir brasileiros

Depois de receber o título de cidadão brasileiro em Brasília, o piloto inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, disse nesta quarta-feira, em entrevista coletiva em São Paulo, torcer para que o Grande Prêmio São Paulo de Fórmula 1 ajude a unir os brasileiros. Sem citar temas políticos, Hamilton afirmou que sentia emocionado em voltar à capital paulista, cidade onde ganhou seu primeiro campeonato e onde nasceu Ayrton Senna.

– Foi uma honra incrível (receber o título de cidadão brasileiro). Nunca pensei que isso pudesse acontecer. Sei que a população do Brasil está em transição agora. É como no resto do mundo, as pessoas ainda estão divididas. Mas há tanto amor aqui. Espero que a corrida faça isso, unindo as pessoas. A comida, as cores, as pessoas, a energia. Todos estão sempre sorrindo, trabalhando duro – disse o piloto da Mercedes.

Ele afirmou que a corrida de 2021, quando venceu no Brasil, foi a melhor corrida que teve na carreira. O piloto lembrou com carinho dos fãs e da família de Ayrton Senna.

– É sempre incrível voltar a São Paulo. Lembro da primeira vez que vim, em 2007. Foi muito emotivo. Sempre fui fã do Ayrton e quando cheguei e me dei conta que estava em seu país natal. Foi muito emocionante – relembrou.

Hamilton lembrou também quando ganhou o título em 2008, vencendo o brasileiro Felipe Massa, com a diferença de apenas um ponto sobre o brasileiro. Disse que era muito jovem à época e que ainda estava se descobrindo.

– Não consegui aproveitar. E tem sido uma linda jornada nestes últimos anos, de muito crescimento – disse.

Hamilton foi questionado sobre a aposentadoria do piloto Sebastian Vettel, que deverá encerrar a carreira em Interlagos e receber homenagens. Os dois são amigos fora das pistas.

– Ele foi o primeiro a se ajoelhar comigo. Não acredito ter visto qualquer outro piloto na história fazer o que fizemos. Vejo ele como aliado e quero continuar com nossa relação de amizade – disse o inglês.

Hamilton, de 36 anos, é heptacampeão e está negociando a renovação de seu contrato com a Mercedes, que se encerra em 2023. Ele disse que, no futuro, quando se aposentar, não pretende se afastar das pistas e quer continuar defendendo as pautas sociais, e a luta por diversidade no esporte.

– Quero dizer às crianças para seguirem seus sonhos, mesmo que digam que isso é impossível. Sou prova disso. Me disseram que seria impossível ser como Senna, sendo negro na Fórmula 1. E estou aqui. O mais importante é a educação. Depois é acreditar em si mesmo, não importa o que digam. Vale para todos nós, independentemente da idade – afirmou.

Hamilton afirmou que, quando começou a defender suas pautas pelo mundo, disseram que não havia espaço para política no esporte.

– Mas direitos humanos não são política – disse.

O piloto defendeu também que a sustentabilidade seja prioridade nas empresas e que há muitas mudanças positivas nesse sentido na Fórmula 1.

– Temos 10% de combustível sustentável, a meta é chegar a 100%. Espero que possamos deixar o planeta de uma forma melhor do que descobrimos, não pior – declarou.

No GP de São Paulo haverá várias ações de sustentabilidade. Foi criada a Coordenação do Plano de Sustentabilidade, para traçar um estratégia nesse sentido. Por exemplo, as caixas tetrapak de água serão recicladas e transformadas em telhas e destinadas a comunidades locais. Cada tonelada de lixo orgânico renderá cem quilos de fertilizante, que serão doados a hortas. Haverá, ainda, coleta de resíduos recicláveis feita por 90 integrantes da Coopercaps, com renda revertida para a própria cooperativa.