Em São Paulo, regiões com menos oferta de emprego têm mais mortes por coronavírus

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SAO PAULO, BRAZIL - MAY 06: A nurse assists a resident with suspected Coronavirus in the Paraisopolis slum on May 6, 2020 in Sao Paulo, Brazil. The local community organizes itself to fight Coronavirus in an autonomous way and offers daily food to thousands of people. Paraisópolis is the largest favela in the city of São Paulo where approximately 120 thousand people live. (Photo by Victor Moriyama/Getty Images)
Regiões com maior número de famílias em extrema pobreza é mais afetada pelo coronavírus (Foto: Victor Moriyama/Getty Images)

Na cidade de São Paulo, quanto mais empregos disponíveis em um distrito, menos pessoas são afetadas pelo coronavírus. É o que mostra um estudo feito pela Rede Nossa São Paulo, o Mapa da Desigualdade. A pesquisa cruzou os dados de oferta de emprego para cada mil habitantes com o número de mortes pela Covid-19.

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Na Barra Funda, por exemplo, já 5.920 postos de trabalho para cada mil habitantes. O bairro tem 21 mortes pela Covid-19. Na Cidade Tiradentes, por outro lado, há 24 vagas de emprego para cada mil pessoas em idade ativa e 223 mortes pelo novo coronavírus.

Outros bairros do centro da capital paulista demonstram o mesmo: a Sé tem 4.640 vagas de emprego para cada mil habitantes e 27 mortes, enquanto no Bom Retiro há 2.270 postos de trabalho e 42 mortes. Já no bairro de Tremembé são 44 vagas e 246 mortes e Iguatemi 54 postos e 159 mortes.

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De acordo com a Rede Nossa São Paulo, isso acontece porque os distritos com menos empregos implicam em deslocamento para acessar os empregos formais. Dessa forma, a população fica mais exposta à Covid-19.

Há algumas exceções, como Anhanguera, onde há 40 postos de trabalho e 41 mortes, e Itaim Bibi, bairro nobre onde há 3.460 vagas e 103 mortes. O motivo é a densidade demográfica. Enquanto o Itaim Bibi é altamente povoado, Anhanguera tem baixa densidade demográfica.

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Outro dado mostrado pela pesquisa é a relação entre renda familiar e mortes pela Covid-19. Quanto menor a renda, maior a mortalidade pela doença. Os distritos de São Paulo com menor renda têm 2,7 vezes mais mortes por coronavírus do que os bairros de maior renda.

No Alto de Pinheiros, a renda familiar média é de R$ 9.344 e são 48 mortes. No Morumbi, R$ 9.091 e 42 mortes.

Já em Jardim São Luís, a renda média é de R$ 983 e são 256 mortes pela Covid-19. Em Artur Alvim, R$ 1.832 e 161 mortes.

Isso se deve ao fato de que, sem dinheiro, as famílias não têm acesso a tratamento para casos graves da Covid-19. O sistema público está cheio, o que impede que as pessoas infectadas sejam atendidas.

A extrema pobreza também está diretamente relacionada com a Covid-19. No Grajaú, por exemplo, há mais de 34 mil famílias vivendo nessa condição. O bairro tem 302 mortes pelo novo coronavírus. Já no Alto de Pinheiros, onde 102 famílias vivem em extrema pobreza, há 48 mortes.

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