Em seu último discurso, Olimpio disse que mortes na pandemia se deviam a negacionismo do governo

Paulo Cappelli
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Senador Major Olímpio pediu desculpas para as pessoas que escutaram os palavrões ditos por ele (Foto: Pedro França/Agência Senado)
Senador Major Olímpio teve morte cerebral após contrair covid-19 (Foto: Pedro França/Agência Senado)
  • Em último discurso, Major Olímpio se posicionou contra o negacionismo

  • Senador criticou gestão do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello

  • Parlamentar teve morte cerebral após contrair covid-19

BRASÍLIA - "Nossas orações de conforto aos familiares do senador Arolde de Oliveira, do Maranhão, que nós perdemos, e às mães dos Senadores Renan e Jayme Campos, que, de certa forma, são vítimas da irresponsabilidade, do negacionismo com que foi tratada a pandemia até então". 

Foi dessa forma, referindo-se à gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que o senador Major Olimpio (PSL-RJ), que morreu hoje em decorrência de covid-19, abriu seu último discurso presencial no Senado, no dia 11 de fevereiro. A audiência contava com a presença do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que foi duramente cobrado por Olimpio.

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"Nós vimos que não era o melhor remédio o 'fique em casa esperando falta de ar'. O tratamento precoce salva vidas, por isso temos falado, dia após dia: não fique em casa". Essa foi uma afirmação de vossa excelência (Pazuello) na sua posse. O senhor ainda corrobora com esse seu discurso? Até porque também no próprio manual, que depois foi apagado do site do ministério, de orientação aos profissionais de saúde, há o induzimento para que se use medicamento sem eficácia comprovada", disse Olimpio, referindo-se à cloroquina em indagação a Pazuello.

"Eu quero lamentar a falta de transparência do Governo brasileiro e do ministério, a ponto de ser necessário se criar um consórcio de veículos de imprensa para informar a realidade dos dados no dia a dia."

"A força-tarefa do SUS fez chegar ao senhor relatórios, dos quais nós temos cópias, dando conta de que vai faltar oxigênio, gente vai morrer asfixiada, vai faltar, vai faltar, vai faltar! Faltou! E matou! O senhor acredita que fez realmente todos os esforços para evitar que essas vidas fossem perdidas?" disse.

-"V. Exa. também declarou: 'Nós avaliaremos a demanda e, se houver demanda e houver preço, nós vamos comprar'. Meu questionamento: o senhor realmente acredita que poderia não haver demanda por compra de vacinas para nos tirar da pandemia? Quando o senhor afirmou isso, foi desconhecimento ou obediência hierárquica?" complementou, em defesa enfática da vacinação em massa.