Em seu primeiro encontro com empresárias, Bolsonaro critica fechamento do comércio

Henrique Gomes Batista
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SÃO PAULO - Atendendo a um pedido do Grupo Voto, o presidente Jair Bolsonaro participou em São Paulo de um almoço com mais de 40 empresárias. O presidente escalou um time formado, quase integralmente, por homens: os ministros Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Ricardo Salles (Meio Ambiente), general Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Fábio Faria (Comunicações) e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil). A exceção foi a ministra Flávia Arruda, da Secretaria de Governo.

O evento foi marcado por um tom amigável. Ao fim, foram distribuídos bombons Ferrero Rocher. Mas as empresárias lamentaram a ausência da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, cujo nome aparecia no convite com o mesmo destaque dado ao do presidente.

A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, foi outra falta sentida pelas executivas, que se referem a ela como uma liderança a ser seguida.

As empresárias chegaram ao local de máscara. Mas, na hora de registrar o encontro em fotografia, a maioria deixou momentaneamente de lado a peça, essencial para proteção durante a pandemia. O presidente chegou de máscara, mas logo retirou.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil está “emergindo” com a pauta de privatizações.

— Somos a única economia do mundo que caiu criando empregos — disse.

Guedes disse que o leilão da Cedae é um marco e que as próximas privatizações serão de Correios e Eletrobras.

O grupo presente misturava executivas de empresas e proprietárias de estabelecimentos próprios. A empresária Dulce Pugliesi, uma das fundadoras da Amil, que falou em nome das presentes, pediu um “olhar social” do governo:

— Para além das reformas estruturantes e do custo Brasil, que todos sabemos da importância, o que queremos é um olhar atento para a causa do desenvolvimento e da inclusão. Pedimos um olhar atento para as diferenças de oportunidade, e isso tudo é o que eu vejo aqui hoje dentro dessa sala.

Bolsonaro foi aplaudido quando disse que nunca fecharia o comércio para controlar a pandemia. Segundo ele, muitos governadores “se embebedaram” com o poder:

— Andando por São Paulo, vim de carro do aeroporto para cá, vi muita porta cerrada com o anúncio de “passo o ponto” ou “vendo”. É um efeito nefasto do que está acontecendo.

Bolsonaro disse que “fez sua parte na condução da crise”, um dia depois de o país chegar a 400 mil mortos, e não temer a CPI da Pandemia.

Para Karin Miskulin, presidente do Grupo Voto, o evento foi um sucesso:

— Só com encontros como este, incluindo mulheres no centro do poder, conseguiremos avançar em pautas estruturantes.