Em seus melhores momentos, Fluminense é capaz de exibições muito marcantes

É consenso que Fluminense e São Paulo fizeram o grande jogo da rodada do Campeonato Brasileiro. E é notável a frequência com que o time de Fernando Diniz aparece quando se lista as mais recordadas atuações de uma equipe brasileira em 2022. O Fluminense não tem o melhor elenco, tampouco o melhor time do Brasil. Não é o mais forte dos candidatos a ser campeão, mas em seus melhores momentos, o que sequer aconteceu no Morumbi, domingo, é capaz de exibições muito marcantes. Foi assim contra o Atlético-MG, contra o Corinthians ou na partida de ida com o Cruzeiro na Copa do Brasil.

Este é mais um trabalho de Diniz que repete algumas características de suas equipes. É um daqueles times que criam uma sensação rara: se por alguma razão fosse obrigado a entrar em campo sem uniforme, todo mundo saberia que se trata do Fluminense de Fernando Diniz. É um time absolutamente reconhecível dadas as suas especificidades, sua identidade e sua disposição a ser o que é em qualquer campo. Inclusive no Morumbi cheio, como no 2 a 2 com o São Paulo. O que não o impede de, na adversidade, competir da forma que o jogo permite, fazer concessões.

Mas o ponto mais notável deste Fluminense, e que não é inédito nos trabalhos de Diniz, é como a relação entre os jogadores, com suas aproximações para trocar passes como se criassem pequenas rodas de bobo no campo, e a relação do time com a bola geram um elemento estético que cria engajamento. Resultados são importantes, mas a arquibancada é capaz de se orgulhar do estilo. O jogo tricolor nos lembra que a forma também é importante.

Por alguns minutos este Fluminense liderou o Brasileiro no domingo. O que impõe perguntar onde este time pode chegar, que expectativa é de fato realista.

É difícil responder com precisão num Brasileiro tão impactado pela maratona de jogos. Em agosto, elencos mais fortes do que o tricolor passarão a ter calendário livre. E cabe dizer que os elogios à forma, ao prazer despertado por esta equipe, não significam dizer que o Fluminense não tenha limitações ou problemas. Entre o time vistoso e a real disputa pelo título há questões importantes no caminho. Uma delas começa a ser respondida nos próximos dias.

Não é fácil a substituição de um jogador como Luiz Henrique, driblador, criativo e incisivo, um complemento perfeito ao jogo de toques dos meias de Diniz. Matheus Martins é muito promissor, mas ainda vive, naturalmente, outro estágio de carreira. As chegadas de Marrony e Alan tentam atenuar a sensação de um elenco com escassez em alguns setores, como as laterais.

E se o estilo é bem definido, é fato que o Fluminense tem pontos a evoluir em seu jogo. É um time que agrupa muitos jogadores num espaço curto em torno da bola para envolver e trocar passes. É capaz de passar um tempo inteiro atacando um mesmo lado. Não é fácil marcar, mas haverá adversários, como fez o São Paulo no domingo, que conseguirão bloquear o setor da bola. Ao atrair o rival para um dos lados do campo, surgem espaços livres no centro ou no lado oposto, então é importante que o Fluminense consiga, com mais frequência, fazer a bola girar da zona congestionada para a mais livre. Assim surgiu o escanteio do gol de Manoel no Morumbi, o tipo de lance que não ocorria no primeiro tempo.

É possível falar, também, da parte defensiva. Caio Paulista, uma adaptação de Diniz à lateral, tem clara inclinação a se projetar no ataque. É natural que o time sofra um pouco mais por ali. Mas tudo isso são estágios naturais de um trabalho que não tem nem três meses. Só o tempo dirá qual o teto deste Fluminense. Por ora, a certeza é de que o time proporciona prazer.

Sem brilho

O Atlético-MG saira do Nilton Santos como líder do Brasileiro, até o Palmeiras jogar na noite de segunda-feira. E o fez sem brilho, diante de um Botafogo que, se já não tem um elenco brilhante, se via dizimado por desfalques. Neste aspecto, o time de Luís Castro foi bastante competitivo, enquanto os mineiros, candidatos reais ao título nacional, passaram a parte final do jogo defendendo a própria área.

Contra o tempo

As chegadas de Everton Cebolinha e Vidal, que ainda podem ganhar a companhia de Walace, elevam ainda mais o padrão de um elenco fortíssimo como o do Flamengo. Caso se adaptem com rapidez, os reforços ampliam a sensação de um time candidatíssimo nas copas. Quanto ao Campeonato Brasileiro, a dúvida é se a instabilidade do início da competição não terá feito o time perder tempo e pontos em excesso.

Desfalques

Lesões em série à parte, esta foi mais uma rodada com jogadores poupados após as decisões pela Copa do Brasil. Ao oferecer uma vaga na Libertadores através da copa e ampliar fortemente a premiação do mata-mata, a importância dada ao torneio tornou-se enorme. O que é bom, afinal nunca é demais valorizar uma competição. A questão é que, num calendário inchado, quem sofre é o Brasileiro, justamente a disputa mais nobre.

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