Em SP, 99% das doses contra a Covid aplicadas no primeiro dia de reforço são da CoronaVac

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SÃO PAULO — No primeiro dia de aplicação da dose de reforço contra a Covid em São Paulo, 99,2% das imunizações foram com a vacina CoronaVac, segundo o governo do estado. A adoção de uma terceira dose é defendida por especialistas no combate a novas variantes do coronavírus, como a Delta, mas a escolha pela CoronaVac para a terceira dose de idosos tem sido contraindicada por cientistas e pelo Ministério da Saúde.

Segundo especialistas da área da saúde, embora a CoronaVac ajude a prevenir formas graves e óbitos por Covid, ela não seria a melhor opção para o reforço na população idosa. Isso porque nesse grupo em que o sistema imune também envelhece é mais difícil alcançar uma maior resposta imunológica. Por isso, defendem, o ideal seria oferecer a vacina que mais produz anticorpos. As evidências obtidas por estudos até agora indicam que as vacinas de RNA mensageiro (caso da Pfizer) e as de vetor viral, como AstraZeneca ou Janssen, produzem resposta imune mais intensa nessas populações mais vulneráveis.

Um estudo preliminar publicado na revista Lancet comparou a produção de anticorpos em pessoas vacinadas com CoronaVac ou Pfizer. Os que receberam a segunda tiveram dez vezes mais anticorpos neutralizantes do que os vacinados com a primeira. A análise foi feita com 93 profissionais de saúde e está ligada à Universidade de Hong Kong, na China.

Plano contraria planejamento federal

A etapa de reforço em São Paulo começou na segunda (6), para pessoas com mais de 90 anos. O grupo é estimado em 148,7 mil pessoas. No primeiro dia, até às 18h foram aplicadas 12.607 doses adicionais, segundo o governo do estado. Entre os vacinados, 99,2% tomaram a CoronaVac, 0,3% Astrazeneca e 0,1% Pfizer.

A orientação do Plano Estadual de Imunização (PEI) é que os municípios apliquem “o imunizante que estiver disponível nos postos de vacinação”, de acordo com a indicação do Comitê Científico que assessora o governo na gestão da pandemia.

A previsão é que até outubro sejam vacinados os maiores de 60 anos e imunossuprimidos maiores de 18 anos (transplantados, pessoas em quimioterapia, hemodiálise, soropositivas e outras com alguma debilidade no sistema imunológico) que tenham tomado as duas doses há pelo menos seis meses. No caso de imunossuprimidos, eles devem ter tomado a segunda dose (ou dose única, se for Janssen) há pelo menos 28 dias.

— Queremos deixar a população mais vulnerável em segurança. Essa é uma estratégia que foi alinhada com o Comitê Científico e discutida no Plano Estadual de Imunização, para que a gente possa, frente à variante Delta, ter essa segurança que essa população receberá a dose adicional — destacou a coordenadora do Plano Estadual de Imunização, Regiane de Paula.

O Ministério da Saúde excluiu a CoronaVac do plano de reforço e priorizou o uso da Pfizer. Pelo plano federal, serão imunizadas pessoas com mais de 70 anos e imunossuprimidas a partir de 15 de setembro.

Na semana passada, o governo de São Paulo cobrou do ministério a inclusão da CoronaVac no plano federal.

— Estamos oficiando o Ministério da Saúde, para que a CoronaVac seja também inserida nessa plataforma de imunização com a terceira dose. Não é correto, não é justo, não é ético que tenhamos os dispositivos de vacina e esses dispositivos não sejam utilizados na sua plenitude — disse na ocasião Jean Gorinchteyn, secretário de estado da Saúde.

Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, que fabrica a CoronaVac em parceria com a chinesa Sinovac, afirmou que do ponto de vista técnico e científico a terceira dose com a CoronaVac aumenta a resposta imune, mas que "do outro lado", do Ministério da Saúde, o posicionamento é político.

— Nós estamos tratando aqui de questões técnicas, científicas e essas apontam que a terceira dose com a Coronavac aumenta enormemente a resposta imune. Do outro lado nós temos um posicionamento que é até mais político do Ministério da Saúde quando descredencia, vamos dizer assim, essa vacina como terceira dose — afirmou Covas.

Devido aos atos no feriado da Independência do Brasil, a vacinação contra a Covid foi suspensa na capital paulista nesta terça-feira. O calendário será retomado na quarta (8).

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