Em SP, começa julgamento de padre acusado de assédio sexual de ex-coroinhas menores de idade

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SÃO PAULO - A Vara Criminal de Araras, no interior de São Paulo, começou na tarde desta terça-feira o julgamento do padre Pedro Leandro Ricardo, afastado da igreja católica desde 2019, quando foi acusado de assédio sexual por ex-coroinhas.

Nesta tarde, o juiz Rafael Pavan de Moraes Figueira ouve os denunciantes e mais oito testemunhas de acusação.

O padre, que sempre negou as acusações, responde pelo crimes de atentado violento ao pudor entre 2002 e 2006. Segundo a denúncia do Ministério Público estadual, o sacerdote usou de sua "ascendência sobre as vítimas, em diversas oportunidades, mediante violência e grave ameaça, para praticar atos libidinosos contra a dignidade sexual" de três adolescentes e uma criança de 11 anos.

Ainda de acordo com o MP, o padre levou um adolescente à casa paroquial, ofereceu bebida alcoólica e lhe fez sexo oral. Em outros dois casos, a promotoria sustenta que o padre passou as mãos nas coxas e nos órgãos genitais dos adolescentes quando viajavam de carro de carona com o religioso. Há também um relato de que o padre Leandro alisou o corpo de um menino de 11 anos ao ajudá-lo a vestir a batina.

Ao todo, serão três dias de audiências até quinta-feira. A sessão vai ser realizada por videoconferência em razão da pandemia da covid-19. Os ex-coroinhas estão concentrados num hotel em Araras junto com os advogados de defesa.

Na quarta-feira, estão previstos os depoimentos das testemunhas de defesa do religioso. Ao todo, os advogados do padre convocaram 32 pessoas no processo.

Na quinta-feira, será a vez da oitiva do padre Leandro.Após as audiências, o magistrado vai dar a sentença, o que não há prazo para ocorrer e pode levar semanas e até meses.

O religioso se tornou réu em março de 2020, quando a Justiça determinou a retenção do passaporte do sacerdote para evitar risco de fuga para o exterior e o proibiu de manter contato com as vítimas, familiares e testemunhas. A defesa do padre diz confiar em sua inocência e na Justiça. O advogado de Leandro, Paulo Sarmento, tem dito que a denúncia será "integralmente rechaçada".

Em paralelo ao processo criminal, o Vaticano também investiga as acusações contra o padre. O caso levou à renúncia do bispo da diocese de Limeira, Vilson Dias de Oliveira, que foi acusado de extorsão de outros padres, além de fechar os olhos para abusos do padre Leandro. As denúncias de assédio sexual de menores ainda levaram ao afastamento de outros três padre na região.