Em sua ficha, Belo tem outras duas prisões e cerca de quatro anos atrás das grades

Ludmilla de Lima
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A prisão do cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, após promover aglomeração em meio à pandemia durante um show na Maré não é a primeira na ficha do artista. Por causa do envolvimento com traficantes, ele foi parar atrás das grades em 5 de junho de 2002 — quando passou 37 dias na carceragem da Delegacia Antissequestro (DAS) —, e depois, em 5 de novembro de 2004. Neste último caso, Belo foi detido em casa, escondido em um quarto com paredes falsas após a sua condenação a oito anos de prisão em regime fechado pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. A polícia levou 40 minutos para encontrá-lo. Em 2007, Belo conseguiu pela primeira vez o direito à liberdade condicional.

O caso teve início após a Justiça, em abril de 2002, autorizar grampos telefônicos que acabaram revelando uma relação do cantor com o traficante Valdir Ferreira, o Vado, então chefe do tráfico no Jacarezinho. Numa conversa, Vado (que terminaria morto no mesmo ano em confronto com a PM) pediu R$ 11 mil ao artista para a compra de "tecido fino", em troca de um "tênis AR". Segundo a polícia, "tecido fino" seria cocaína, e "tênis AR", um fuzil AR-15.

A primeira prisão foi pedida pelo MP, em maio de 2002. Após uma semana foragido, Belo se entregou. Passado pouco mais de um mês, ele foi beneficiado por um habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio de Mello, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). No final do mesmo ano, o cantor foi condenado pela 34ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio a seis anos de prisão. Só que, na decisão, a Justiça permitiu que ele recorresse em liberdade.

No entanto, após recurso do Ministério Público, os desembargadores da 8ª Câmara Criminal não só aumentaram a pena para oito anos como expediram novo mandado de prisão, em dezembro de 2003. O desembargador Flávio Magalhães ressaltou que a elevação da pena tinha a ver com o fato de a "sua conduta censurável ter repercutido de forma desfavorável nos admiradores adolescentes". Em novembro de 2004, o cantor foi condenado na segunda instância, por unanimidade, pela 8ª Câmara Criminal do TJ, sendo preso no dia seguinte. O cantor passou pela Polinter, pelo presídio Ary Franco e pelo presídio Evaristo de Moraes. No final de 2005, voltou para o Ary Franco após agentes encontrarem um celular e um videogame na cela em que ele dividia com outros quatro detentos.

Embora tenha conquistado a condicional em 2007, nove meses depois foi obrigado à retornar para a prisão, para cumprir o regime semiaberto, por causa de um recursos do MP contra a extinção da pena por tráfico. Em agosto de 2008, a a Vara de Execuções Penais do Rio aceitou o pedido da sua defesa de liberdade condicional.

Não só Belo, mas sua filha Isadora Alkimin Vieira, de 21 anos, também já foi presa. No fim do ano passado, ela ficou quase um mês detida por envolvimento numa quadrilha que praticava golpes eletrônicos. Ela, que estuda Odontologia, é suspeita de fazer parte de uma organização criminosa que induzia vítimas a repassarem seus dados bancários e, posteriormente, entregarem seus cartões a motoboys para serem utilizados pela quadrilha.