Em tempo de coronavírus, estações e ônibus cheios no BRT apesar de determinações para os transportes

Rafael Nascimento de Souza
Estações e ônibus cheios nesta quarta-feira após determinação do estado e do município para reduzir número de passageiros

RIO — No primeiro dia do decreto estadual que proíbe transportes lotados no estado, o que se vê nas estações do BRT, principalmente as da Zona Oeste, são estações e ônibus cheios. O BRT não disponibilizou na manhã desta quarta-feira articulados suficientes para minimizar a superlotação do modal. Na estação no Mato Alto, em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, passageiros que precisam sair de casa para trabalhar disputam espaço nos ônibus que estão saindo de cinco em cinco minutos. Muitos articulados estão deixando as plataformas com as portas abertas.

— Não tem o que fazer. Precisamos trabalhar e temos que enfrentar esse ônibus lotado. A maior dificuldade é entrar no ônibus, depois é se segurar até a estação onde tenho que descer — conta o pintor Wellington Almeida Santiago, de 22 anos. O passageiro aponta o longo intervalo entre as saídas, que deveria ser reduzido para evitar as aglomerações e preservar a saúde de quem usa. — Era preciso ter alguém proibindo que os ônibus saíssem das estações lotados. Aqui é um foco para a doença. E além disso, os patrões deveriam se conscientizar que obrigar o funcionário a ir trabalhar e passar por sufoco colocará a gente em risco.

Já a atendente de telemarketing Valeria Costa, de 64 anos, diz que “nada mudou no BRT” desde o dia que ficou sabendo da doença.

— É todo dia esse ônibus cheio. As pessoas precisam trabalhar, e o BRT não aumentou o número de veículos para evitar a superlotação. Tenho preocupação com a minha saúde. Mas, vou fazer o quê? Tenho que ir trabalhar — conta Valéria, que após deixar o ônibus passa álcool em gel nas mãos.

Além da redução de 50% de passageiros nos transportes públicos, o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Detro-RJ), em uma portaria publicada nesta terça-feira, restringe as linhas intermunicipais de ônibus.

A decisão, que é válida por 15 dias, estabelece a proibição da circulação de qualquer ônibus entra cidades da Região Metropolitana e o interior do estado. A medida afeta linhas regulares, ônibus fretados e veículos de turismo.

O transporte intermunicipal feito dentro da Região Metropolitana continuará sendo operado com os passageiros podendo ser transportados somente sentados. Já o transporte entre os municípios do interior continuará ocorrendo normalmente.