Em tentativa de reafirmar masculinidade, Bolsonaro expõe Michelle e gera constrangimento

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BRASILIA, BRAZIL - NOVEMBER 11: Brazilian President Jair Bolsonaro and first lady Michelle Bolsonaro during the presentation of Food Donation Program at Planalto Palace on November 11, 2021 in Brasilia, Brazil. The program Comida no Prato aims to connect companies who want to donate food with institutions that are able to receive them for distribution to those in need. The levels of poverty and hunger grew in Brazil in 2020 and 2021, fueled by the effects of the pandemic. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro expôs intimidade entre ele e a esposa Michelle Bolsonaro. Fala virou assunto nas redes sociais (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Ao longo da última quinta-feira (11), rodou pela internet um vídeo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) expondo sua intimidade com a primeira dama, Michelle Bolsonaro. Na abertura de um evento, Bolsonaro deseja bom dia aos presentes – menos para Michelle, “porque eu já dei um bom dia muito especial para ela hoje”. Assista: 

Já é sabido que o presidente Jair Bolsonaro, que coleciona declarações grosseiras e com palavrões, não é um grande entusiasta do “decoro”. Segundo o dicionário Michaelis, a palavra significa “seriedade e decência ao agir; dignidade”, o que de fato falta ao presidente em determinara ocasiões. Ontem, faltou decência mais uma vez.

Os opositores não perderam a oportunidade de lembrar de uma entrevista de Michelle Bolsonaro em 2018, à Rede Super de Televisão. Na ocasião, ela contou que Bolsonaro é “um personagem fora de casa” e revelou um pedido que fez ao marido: “Eu até gostaria que você fosse um pouquinho assim dentro de casa, que tivesse um pouquinho mais de energia”.

O esforço de Jair Bolsonaro de expor a esposa, fazendo piadas com a vida sexual do casal, conseguiu constranger até o menos sério dos espectadores. A fala mostra, uma vez mais, a tentativa do presidente da República de reforçar sua virilidade – palavra que, segundo o dicionário Michaelis, significa “conjunto de traços típicos do homem; masculinidade”.

A atitude não é fato isolado. Recentemente, o presidente exibiu a “medalha do clube Bolsonaro”, que o classifica como “imorrível, imbrochável e incomível” (além de constrangedor, também homofóbico). Não satisfeito em mostrar a “honraria” que produziu para si mesmo, Bolsonaro ainda presenteou o boxeador Hebert Conceição, campeão olímpico, com a medalha. É, talvez, uma associação infantil, mas o presidente associou a luta à masculinidade.

Reforçar a masculinidade, ponto tão presente dos discursos de Bolsonaro, faz parte do discurso condizente com uma das bases eleitorais do presidente – e candidato à reeleição: a família tradicional brasileira. Bolsonaro se coloca como homem, provedor, em um contexto em que o homem manda e a mulher é subalterna. É nesse tipo de comportamento que Bolsonaro ganha apoio de pessoas como o jogador de vôlei Maurício Souza, muito incomodado com a orientação sexual de um personagem fictício que não performava masculinidade.

Além disso, há um ponto levantado pela antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, autora do livro “Amanhã vai ser maior”: “Crises econômicas têm um papel fundamental na formação de subjetividades, emoções e frustrações das pessoas. No Brasil, é impossível separar a crise econômica da crise do macho” (p. 92). Como não relacionar o momento vivido pelo Brasil com o comportamento de Jair Bolsonaro? Não é como se o presidente não pudesse fazer “uma piada” (neste caso, não cabe esta classificação) ou sorrir porque o Brasil vive uma crise, mas enquanto a maior autoridade de país se vê rodeado de problemas, como inflação, preço da gasolina, fome e pobreza, ele arruma um novo assunto: a vida sexual dele e da esposa.

Isso sem contar que o reforço da virilidade é uma afronta direto ao feminismo e ao movimento de empoderamento e emancipação de mulheres. Bolsonaro quer constantemente mostrar a dominação masculina.

Sobre isso, Rosana Pinheiro-Machado diz: “No patriarcado, em tempos de recessão, um homem em crise de identidade é um ser reativo que vê a ascensão das mulheres como uma ameaça. A ideia de que existe um plano de dominação feminista pode fazer todo sentido para um sujeito desemprego, frustrado e destituído de essência”.

Talvez seja por isso que Bolsonaro e o bolsonarismo sempre trazem à tona as mesmas temáticas, ligados à própria masculinidade, com tamanha necessidade de reforça-la.

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