Em 'Todas as flores', dom de Mauritânia vai ajudar a empresa: 'Pessoa fundamental na Rhodes', diz Thalita Carauta

Chega de fundo do poço para Mauritânia (Thalita Carauta)! Em “Todas as flores”, a vida da personagem que começou a história como uma atriz pornô em baixa na carreira, vivendo um relacionamento abusivo e sem contato com a família, muda completamente depois que ela herda toda a fortuna de Raulzito (Nilton Bicudo). Após a morte do ricaço, que se apaixonou pela moça, ela recebe, além da grana e da mansão onde ele vivia, uma parte da empresa Rhodes. Sobre essa nova fase, com menos carga dramática e mais empoderamento, a atriz conta:

— Mauritânia sempre teve um sonho, mexia com produção, desenhava os figurinos dos filmes que fazia... Então ela entra para essa parte criativa da empresa e vê que o dom que já tinha, mas não reconhecia, vai ajudá-la a se admirar mais. Tudo se encaminhará pra ela ser uma pessoa fundamental dentro da Rhodes e perceber que seu talento pode ajudar a empresa.

Apesar do deslumbre com a nova vida, a essência de Mauritânia permanece. Enquanto a personagem sofre — e passa a sofrer cada vez menos — com a pouca confiança em si mesma, principalmente por conta da idade, Thalita experimenta o auge do amor-próprio com a chegada dos 40 anos. A atriz acredita que a autoestima é um processo construído diariamente e reflete:

— Eu me prefiro agora do que com 20 e poucos. A beleza vem do autoconhecimento também, não é só uma questão física. Para mim, esses 40 anos chegaram de forma positiva e são um ciclo de muita força e boas perspectivas.

A personagem da ficção não pôde presenciar o que Thalita descreve como um amor profundo em sua vida: a maternidade. Mauritânia, por ter sido expulsa de casa, não presenciou o crescimento da filha, Brenda (Heloisa Honein). Já a atriz, faz questão de acompanhar cada passo de Bento, de 9 anos, que ela adotou com a diretora, escritora e também atriz Aline Guimarães, quando eram casadas.

— Eu sempre quis ser mãe e não tem como a maternidade não mudar a vida de uma pessoa. Eu não tinha tanto autocuidado, por exemplo, e hoje já quero me cuidar para demorar mais tempo nessa vida porque tenho meu filho. Essa troca é profunda, é uma responsabilidade. Muito mais do que algo que faça parte do meu sonho. Procuro ficar atenta e olhá-lo como um indivíduo no mundo para saber como faço para dar o melhor de mim e orientá-lo nesse lugar — diz Thalita, que hoje namora a atriz Tamirys O’hanna.

Sobre o relacionamento, a intérprete de Mauritânia pontua que é algo bem diferente do que sua personagem experimenta nas mãos de Joca (Mumuzinho) na novela:

— É uma relação de muita parceria, sossego, paz no coração de nós duas. A gente é muito parceira uma da outra, filosofamos muito sobre a nossa profissão e nos ajudamos com cada trabalho que surge.

A atriz conta que nessa nova fase de Mauritânia, o público vai entender que existiu um contexto que a levou para a profissão de atriz de filmes adultos, além da prostituição.

— Apesar disso, ela realmente tem vocação, gosta de trabalhar nesse campo da sexualidade. E nunca teve uma questão com isso. Algo que muda quando vai para o olhar do outro, principalmente da família — conta Thalita, que se inspirou em filmes como “Noites de Cabíria” e “Uma linda mulher” para o papel: — A profissão de prostituta deveria ser respeitada, regularizada. E essas mulheres deveriam ter segurança. É muito mais sobre a sociedade não suportar uma mulher livre sexualmente e ter sua liberdade financeira vindo disso. E, ao longo da novela, minha personagem vai trazer a dignidade e o respeito pela escolha dela.

Fazendo o público chorar de rir ou de emoção na obra de João Emanuel Carneiro disponível no Globoplay, a carioca pontua que sempre buscou trabalhar com papéis que transitem em vários gêneros:

— Até a Janete (sua personagem no “Zorra total”), que era engraçada, tinha seus dramas. É sempre uma busca minha interpretar alguém contemplando a complexidade humana.