Em 'Todas as flores', o cenário com papel de parede de folhagens é uma ótima opção para tornar o ambiente mais leve

Em “Todas as flores”, novela do Globoplay, com capítulos divulgados semanalmente, o cenário onde Pablo (Caio Castro) posa nesta foto — a casa de Zoé (Regina Casé) — tem um papel de parede cheio de identidade, com estampa de folhagens. Essa é uma tendência forte, que tem reaparecido nos últimos tempos. Ela é usada para trazer o ar da natureza e algo mais colorido para compor a decoração de dentro de casa sem necessariamente precisar de flores e folhagens reais.

Uma ideia perfeita para quem quer se conectar com o tema que chamamos de biofilia — a tendência inata dos seres humanos em se aproximar da natureza — é trazer essas texturas que remetem à flora para os detalhes de casa. Essa alternativa tem de positivo seu custo, que é muito menor do que uma parede toda de plantas naturais ou mesmo permanente. Ela é fácil de instalar, podendo ser colocada com poucas ferramentas, e é uma alternativa rápida para quem está se mudando. Por ser algo de fácil composição, pode ser utilizada em qualquer tipo de ambiente. A seguir, vamos ver essa ideia aplicada em dois projetos diferentes que ficaram lindos demais.

A natureza no lar

Depois de visitar a casa de amigos que havia sido reformada pela arquiteta Fernanda Medeiros, um casal com dois filhos se empolgou e decidiu renovar o apartamento onde eles já moravam, no Jardim Botânico. O projeto encomendado à mesma arquiteta está sendo executado em etapas, e a primeira delas acaba de ser finalizada, contemplando somente a área social, que tem 98m² e engloba sala, home office, lavabo, hall social e varanda. A arquiteta manteve o layout da planta da área social, já que seu formato original em Z permitia setorizar bem os ambientes e, ao mesmo tempo, integrá-los. A madeira é, aliás, o principal elemento do projeto, presente não só no piso original de tábua corrida como também na maioria dos móveis e no acabamento da marcenaria desenhada pela arquiteta. Para equilibrar esse material “quente”, ela pontuou o décor com elementos em tons frios de azul, com destaque para o tapete de estampa geométrica, algumas almofadas, quadros, assento de cadeiras, adornos e o papel de parede do lavabo, trazido de Londres.

Já sobre a segunda foto, um casal neozelandês na faixa dos 60 anos queria um apartamento para passar as férias no Rio de Janeiro. A busca começou a distância, com a ajuda da arquiteta Marina Vilaça na seleção do imóvel. “Filtrei cinco opções na região do Leme e Copacabana”, conta ela. O escolhido foi um apartamento antigo de 206m², no Leme. Foram seis meses de maturação do projeto e mais sete meses do início das obras até a finalização da decoração, que traz uma mistura de referências das arquiteturas carioca e neozelandesa. O layout original do apartamento era muito compartimentado e escuro, com saletas, antessalas e circulações confusas. A demanda por luminosidade natural e por cômodos mais amplos foi, então, uma das primeiras questões a serem resolvidas. “Buscamos transmitir a ideia de amplitude, frescor, contemporaneidade, respeito ao imóvel original, luminosidade e identidade”, completa a arquiteta. A cor branca foi fundamental para ampliar a iluminação natural que as aberturas geraram, além de deixar que outros elementos ficassem em destaque. O papel de parede com estampa de folhagens da Orlean, aplicado na varanda com piso original em mármore, por exemplo, foi escolhido bem no início das reuniões, o que levou a adotar outros itens em verde na decoração.

A coluna "Casa de Novela" é assinada pelo arquiteto e urbanista Guilherme Galvão e pelo engenheiro Douglas Alexandre.

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