Em tom alarmista, Guedes afirma a Bolsonaro que país vai quebrar se houver reajustes para servidores

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BRASÍLIA — Com o aumento da mobilização de diversas categorias de servidores para pressionar o governo por reajustes salariais, o ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou mensagens ao presidente Jair Bolsonaro, a grupos de ministros e integrantes da equipe econômica alertando que os aumentos podem quebrar o país.

O teor das mensagens foi revelado pelo colunista Lauro Jardim e confirmado pelo GLOBO, que também teve acesso ao material. O texto foi encaminhado pelo ministro da Economia na última segunda-feira e mostra o nível de preocupação do chefe da área econômica de Bolsonaro às vésperas de um ano eleitoral.

"Se aumentarmos os salários e a doença (Covid-19) voltar, QUEBRAMOS!", alertou Guedes.

A pressão por reajustes ocorreu depois que o presidente Bolsonaro ordenou um aumento salarial para policiais federais, agentes penitenciários e Polícia Rodoviária Federal. A primeira reação partiu dos auditores fiscais da Receita Federal, que entregaram mais de 700 cargos de chefia e decidiram realizar “operações tartarugas” a partir de segunda-feira.

Em tom aflito, as mensagens de Guedes indicam preocupação com as contas públicas. Ele lembra que, após policiais, já há pressão de servidores do Banco Central e da Receita Federal.

"Estamos em ECONOMIA DE GUERRA contra a PANDEMIA. Quem pede aumento agora não quer pagar pela guerra contra o vírus. Já tomei minha vacina agora quero reposição de salário: NÃO VOU PAGAR PELA GUERRA AO VÍRUS , escreveu Guedes.

“ Ok, se houver reestruturação de uma carreira; melhor ainda se dentro de uma reforma administrativa. Reforma administrativa corta 30 bilhões por ano : poderia aumentar 10% salários do funcionalismo APÓS A REFORMA, valorizando o funcionalismo atual, pois ficaria zero a zero”, ressaltou o ministro, destacando algumas palavras em letras maiúsculas, para reforçar seus argumentos.

Para ilustrar o cenário atual, o ministro citou a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, cujo rompimento da barragem, em janeiro de 2019, deixou mais de 300 mortos, e o ex-presidente argentino Maurício Macri, de direita, que perdeu a reeleição por causa da piora da situação econômica no país vizinho.

“SEM ISTO, reajuste geral para funcionalismo é INFLAÇÃO SUBINDO, BRUMADINHO E MACRI nas eleições !", afirmou.

"Temos que ficar FIRMES ! (Do contrário, os aumentos serão igual a) Brumadinho : pequenos vazamentos sucessivos até explodir barragem e morrerem todos na lama".

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